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I SÉRIE — NÚMERO 6

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porque já dizia o seu ex-colega Heitor Sousa, na última discussão sobre o aumento dos transportes em 4,5%,

introduzido pelo Partido Socialista, que se tratava de aumentos brutais, inaceitáveis para as famílias. Em

relação a isso, reconheço-lhe, pelo menos, coerência.

Sr.ª Deputada, já a conheço há algum tempo e tenho registado que faz intervenções ponderadas e até, de

alguma forma, um discurso sério, e, portanto, gostava de apelar a essa seriedade. É verdade ou não que o

Estado vai reduzir 15% na sua estrutura orgânica? É verdade ou não que o Estado vai reduzir pessoal superior

— deu, pelo menos, esse sinal, o que foi uma inversão completa ou uma lógica até aqui não vista — ao não

nomear os governadores civis e os adjuntos da segurança social, havendo aqui um esforço para reduzir aquilo

que é o peso do Estado?

Mais, Sr.ª Deputada: em concreto, sabe que, desde Dezembro de 2007, não há aumentos dos transportes

públicos, independentemente do aumento da inflação, que registou números acima dos 2%.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Olhe que houve aumentos em Janeiro!

O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — Aliás, já o Sr. ex-Ministro Vieira da Silva, pelos vistos num acto de

grande lucidez, dizia, no passado, o seguinte: «Bom, como não há aumentos há dois anos, tendo em conta os

aumentos dos combustíveis e as dificuldades financeiras do País, obviamente, terá de haver aumentos».

Isto parecia uma coisa óbvia, que o Bloco de Esquerda prefere ignorar, para além de estar no acordo da

tróica. Trata-se, portanto, de um compromisso que fazemos questão de cumprir. Somos pessoas de bem e,

como pessoas de bem, convém cumprirmos.

Sr.ª Deputada, considera ou não que se defende melhor o serviço público com empresas públicas

saudáveis e bem geridas? E estou a dar de barato que concorda comigo que elas estão em situação

insustentável e que, por esse caminho, o mais certo é qualquer dia não termos empresas públicas de

transportes e, com isso, não termos transportes públicos. Tenho a certeza de que também aí, no gasto das

empresas públicas, se pode fazer alguma coisa.

É verdade ou não que se combate o desperdício em energia e se melhora a nossa eficiência energética

sabendo exactamente o que é serviço público, ou seja, com uma avaliação clara…

O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Peço-lhe que conclua, Sr. Deputado.

O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — … do que é que é serviço público e do que é que não é serviço

público? E sabe porquê? Porque o rigor é o grande critério de justiça.

O Sr. António Filipe (PCP): — Isto até é bom para o ambiente porque obriga as pessoas a andarem a

pé…

O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — O que queremos é um serviço público para aqueles que, de facto,

precisam de serviço público, um transporte público que seja de qualidade, eficiente e que responda à procura,

mas isso só é possível com empresas saudáveis, economicamente viáveis e, obviamente, com uma avaliação

e com clareza, como nós fizemos.

Este aumento é duro, é difícil, mas é completamente inevitável.

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É sempre a mesma coisa!

O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Para responder, tem a palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.

A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Hélder Amaral, é verdade que não mudámos

o discurso. Continuamos a achar que os transportes colectivos devem servir as populações.

Registo que o PSD e o CDS mudaram de discurso, mas não mudaram a prática e, com pena nossa,

continuam com jobs for the boys e com promiscuidade entre interesses privados e interesses públicos.

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