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I SÉRIE — NÚMERO 39

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A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Para 2020 é assustador!

O Sr. Primeiro-Ministro: — Mas, Sr.ª Deputada, quero dizer que o Governo estimou para próximo ano um

crescimento negativo de 2,8%.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — E estimou bem?

O Sr. Primeiro-Ministro: — Sabemos que as medidas que o Orçamento do Estado contém têm um

impacto recessivo sobre a economia, mas esperamos que, no final do próximo ano, comece já a ser evidente

que Portugal pode entrar num caminho de recuperação,…

O Sr. João Oliveira (PCP): — Mas acredita mesmo nisso?!

O Sr. Primeiro-Ministro: — … esperamos que, em 2013, o País possa já estar em condições de regressar

a uma trajectória de crescimento da sua economia, e esperamos que assim seja até 2015. E a Sr.ª Deputada,

com certeza, viu o documento de estratégia orçamental que o governo apresentou a 31 de Agosto e sabe que

essa é a projecção que o Governo fez e que, no essencial, mantém.

Sr.ª Deputada, aquilo que o País precisa de saber é se, na estratégia que temos à nossa frente, vamos

vencer as dificuldades do excesso de dívida com mais dívida ou se vamos, realmente, lançar bases para um

crescimento sustentável.

A Sr.ª Deputada gosta — e já algumas vezes o fez aqui em debate comigo — de dar a ideia de que nós

podemos ter a escolha de gastar mais apesar de não termos dinheiro. Sr.ª Deputada, não é possível! Deixe-

me dizer-lhe que não é possível! E quero que a Sr.ª Deputada se tranquilize, porque o País também sabe que

não é possível! Toda a gente sabe que não é possível!

O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!

O Sr. Primeiro-Ministro: — Agora, podemos questionar quais são os instrumentos que nos podem fazer

sair da recessão, além da estabilização financeira, quais são os pilares para onde vamos rumar, quais são os

sectores em que vamos apostar mais, quais são as áreas mais dinâmicas da economia portuguesa que

poderão acrescentar mais valor para futuro.

OS r. João Oliveira (PCP): — Só há dinheiro para a banca!

O Sr. Primeiro-Ministro: — Podemos discutir isso mas, Sr.ª Deputada, não é no Orçamento do Estado que

se faz essa discussão. O tempo em que se fazia essa discussão no Orçamento do Estado era quando o

Estado assumia a função de investidor, de grande investidor, na economia…

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — E não é?

O Sr. Primeiro-Ministro: — Mas, Sr.ª Deputada, isso só nos conduziu ao empobrecimento, ao défice e à

dívida e essa não é, evidentemente, a escolha que este Governo fará, nem hoje nem nunca.

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Srs. Deputados, vamos passar a uma segunda ronda de perguntas,

de 2 minutos por Deputado, sendo que o Sr. Primeiro-Ministro responderá no final.

Dou a palavra ao Sr. Deputado Pedro Nuno Santos.

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