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I SÉRIE — NÚMERO 39

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casa vão gritando para a televisão e vão dizendo: «Ó Sr. Primeiro-Ministro pare, tem uma parede pela frente e

está a caminhar em alta velocidade em direcção a essa parede!».

Mas o Sr. Primeiro-Ministro não ouve, vai-se comportando como um condutor absolutamente negligente e

irresponsável.

Irresponsável é o Sr. Primeiro-Ministro apresentar-nos, aqui, uma proposta de lei de Orçamento do Estado

que não discute as opções fundamentais para Portugal, para os portugueses, para a economia nacional, hoje.

Irresponsável é o Sr. Primeiro-Ministro ter o desplante de nesta Assembleia da República, quando

discutimos a opções de futuro para os portugueses, dizer que sobre a questão da crise europeia não se vai

pronunciar neste debate.

As notícias de hoje exigem a responsabilidade do Sr. Primeiro-Ministro, exigem uma resposta muito clara!

O que os jornais nos dizem, hoje, é que nos preparamos para a «implosão» da zona euro: a crise da dívida

italiana e a incapacidade da resposta europeia colocam em risco a zona euro!

As notícias de hoje dizem-nos que há conversas entre Merkel e Sarkozy para a restrição da zona euro

apenas às economias centrais da Europa.

O Sr. Primeiro-Ministro apresenta-se nesta Casa para discutir o futuro dos portugueses e diz que sobre

esta matéria nada tem a dizer-nos. A União Europeia fala do afundamento da economia nacional.

Portanto, Sr. Primeiro-Ministro, quando discutimos que pagamos, este ano, 8000 milhões de euros de juros

da dívida, é preciso que também diga aos portugueses que com a sua estratégia em 2014 a nossa dívida

pública continua a subir.

A Sr.ª Cecília Honório (BE): — Muito bem!

A Sr.ª Ana Drago (BE): — Portanto, hoje pagamos 8000 milhões de euros, mas é preciso que se perceba o

que é que vamos pagar em 2014! Vamos pagar o quê? 10 000 milhões de euros! É esta a estratégia que aqui

nos apresenta.

Sr. Primeiro-Ministro, vem aqui prometer-nos o «inferno», mas verdadeiramente mostra uma enorme

indiferença sobre os cortes e as dificuldades que vai impor a trabalhadores — não só aos trabalhadores do

sector público, mas também aos trabalhadores do sector privado, que vão passar a trabalhar à borla — e a

pensionistas.

Os direitos sociais na educação e na saúde já hoje estão em risco! Actualmente, há crianças que

frequentavam os cursos de educação e formação que estão em casa, sem aulas por responsabilidade do seu

Governo! O reitor da maior universidade do País diz que, se isto continuar assim, em 2013 a Universidade de

Coimbra fecha!

E o Sr. Primeiro-Ministro vem aqui dizer-nos que o fundamental é não renegociar a dívida, não renegociar

os prazos do défice.

A Sr.ª Presidente: — Queira terminar, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Ana Drago (BE): — Sr. Primeiro-Ministro, há uma questão que considero fundamental que responda.

Neste debate, não se pronunciando sobre a situação europeia, o Sr. Primeiro-Ministro comporta-se como

um delegado dos credores internacionais que vai fazer a cobrança aos trabalhadores, aos pensionistas, aos

jovens, às crianças, aos utentes do serviço de saúde! Ou será que o senhor foi eleito Primeiro-Ministro dos

portugueses para ter uma estratégia de futuro e defender-nos do ataque dos mercados internacionais?!…

Aplausos do BE.

A Sr.ª Presidente: — Depois deste grupo de pedidos de esclarecimento, tem a palavra o Sr. Primeiro-

Ministro, para responder.

O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr.ª Presidente, começo por pedir desculpa aos Srs. Deputados por não

conseguir responder inteiramente, como gostaria, a todos,…

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