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23 DE FEVEREIRO DE 2012

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da Universidade de Coimbra que assegurou que metade das desistências não foram desistências efetivas,

porque se trataram de mudança de curso dentro da própria Universidade.

Vozes do CDS-PP: — Exatamente!

O Sr. Adolfo Mesquita Nunes (CDS-PP): — Portanto, há casos que, sim, senhor, são dramáticos, e temos

de chegar lá, que têm a ver com carências económicas; e há outros que se prendem com as más escolhas ou,

melhor, com as escolhas que os alunos consideraram que eram más, porque julgo que não nos cabe a nós,

Deputados, dizer o que é uma má escolha ou não é uma má escolha.

O que fica para «memória futura» da minha intervenção, Sr.a Deputada, é que este é um projeto para dar

informação aos alunos sobre um critério ou sobre os critérios que eles considerem ser mais relevantes. E se

falei do critério da empregabilidade não foi, certamente, para o associar à questão do financiamento; foi,

precisamente, para desfazer um equívoco que poderia surgir e que eu quis desfazer, desde logo.

O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!

O Sr. Adolfo Mesquita Nunes (CDS-PP): — Era o de que, com este projeto, o CDS estava a dizer que o

único critério pelo qual os alunos se deveriam guiar era o da empregabilidade. E, nessa onda — permitam-me

a expressão —, não entro! Considero que é cada aluno que deve definir. Eu não sou ninguém para dizer aos

alunos que critérios eles devam seguir e quanto a este Parlamento, a mesma coisa — e presumo que penso

por todos, assim.

De qualquer maneira, Sr.a Deputada, muito obrigado pelas suas questões.

Aplausos do CDS-PP.

O Sr. Presidente (António Filipe): — Vamos passar à segunda declaração política de hoje. Para esse

efeito, tem a palavra o Sr. Deputado Miguel Tiago.

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Governo quis fazer o papel do «bom

aluno» da troica e cortar o Carnaval aos portugueses, mas perdeu essa batalha.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Quis tirar mais um feriado aos trabalhadores, mas o País demonstrou que

não é um fantoche na mão do Governo e que não está disposto a acatar as ordens de quem se quer impor

perante o povo, mas nunca levanta a voz perante a troica.

O Governo não deu «tolerância de ponto», mas foi feriado em Portugal.

Aplausos do PCP.

Por todo o País, nas autarquias, nos transportes públicos, na CP, no Metro, na RTP, na TAP, na ANA, nos

CTT, na Imprensa Nacional, na Águas de Portugal, em muitas empresas privadas, as portas estiveram

fechadas ou o trabalho foi organizado e pago, como o seria durante um feriado, como, aliás, o é a terça-feira

de Carnaval, em muitos contratos coletivos de trabalho.

O Governo perdeu a batalha e foi, ainda, o alvo do escárnio típico de uma altura carnavalesca, que trouxe

ao entrudo a luta e a revolta de um povo que, tendo um Governo vergado, não lhe quer seguir os passos. Essa

batalha perdeu também a Assembleia da República, com a decisão da Sr.ª Presidente (apoiada pelo PSD,

pelo CDS e pelo PS), ao colocar-se a reboque do Governo e em contramão com o País.

O País seguiu os corsos em luta e protesto, demonstrando que o Governo deveria estar mais preocupado

com os mais de 1,2 milhões de portugueses que não podem trabalhar, porque estão no desemprego, do que

com aqueles que gozam o feriado de Carnaval.

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