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I SÉRIE — NÚMERO 75

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O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — E outras batalhas perderá o Governo se persistir neste caminho da

arrogância típica de quem se mostra muito forte perante o povo, mas sempre muito servil ante os senhores do

dinheiro.

Vozes do PCP: — Muito bem!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — A situação em que o País se encontra, a degradação acentuada da

qualidade de vida dos portugueses, a desvalorização dos salários, os roubos nos subsídios, o alastramento da

pobreza, o crescimento galopante do desemprego, agravado pelo vasto desemprego entre jovens, o

aprofundamento da recessão económica são elementos que ilustram o resultado de anos e anos de políticas

de direita, protagonizadas ora pelo PS, ora pelo PSD, com ou sem o prestável amparo do CDS.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É verdade!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Porém, resulta da reunião de ontem com a troica que, para estes senhores,

estes técnicos do FMI e da União Europeia, tal como para o PS, o PSD e o CDS, não são as opções de

desmantelamento do aparelho produtivo, a corrupção, a privatização de todas os sectores fundamentais da

nossa economia, a destruição das pescas, da agricultura e da indústria, a concentração da riqueza, a

reconstituição dos monopólios que representam um perigo para o nosso País. Não! Para estes senhores, o

que representa um perigo é a luta das populações, a luta dos trabalhadores, o levantamento espontâneo, mas

esclarecido, daqueles que empobrecem a trabalhar ou que não podem trabalhar, porque estão no

desemprego.

E desta avaliação não podemos retirar o Partido Socialista.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Ah, pois não!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Depois de ter feito parte do coro dos inflexíveis e de ter rejeitado

liminarmente a exigência do PCP para a renegociação dos prazos, montantes e juros da dívida, eis que agora

se apresenta como defensor — ainda que tímido — do alargamento dos prazos previstos no pacto de

agressão das troicas. Mas é preciso dizer que o PS defende mais tempo, apenas e só, para aplicar

exatamente as mesmas medidas!

PSD, PS e CDS colocam-se, afinal, na posição de sempre: do lado dos grandes interesses, constituindo

esse arco parlamentar da desgraça que quer, ainda que sem o assumir, conduzir o País para a situação em

que a Grécia já se encontra. São estes os responsáveis pelo caminho para o abismo e para a bancarrota que

o País está a trilhar — PS, PSD e CDS aplicam dedicadamente a receita que falha na Grécia e falhará em

Portugal, como já hoje se sente.

Sr. Presidente e Srs. Deputados: É ofensiva a desfaçatez com que se anuncia que a avaliação do

programa é «positiva». O PSD, o CDS e a troica rejubilam com os sucessos, mas que sucessos são esses?!

Os 14% de desemprego? O crescimento da dívida externa? A desvalorização dos salários e pensões? O

aumento incomportável dos preços? A destruição do serviço público de arte e cultura, do Serviço Nacional de

Saúde e do sistema educativo? A quebra no consumo interno e o empobrecimento de vastas camadas da

população ou o encerramento de empresas, umas atrás das outras?

A insensibilidade social e humana por detrás das palavras da troica, do PSD e do CDS são a ilustração de

que o sucesso do pacto, o sucesso do programa da troica é o falhanço do País!

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — A necessidade de renegociação da dívida afirma-se cada vez mais e com

mais evidência, porque está bem demonstrado que não há limites para a austeridade e para o roubo neste

pacto de agressão, a não ser aqueles que nós próprios — portugueses — viermos a impor-lhe.

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