I SÉRIENÚMERO 81
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O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado António José Seguro, ainda bem que ficou
desiludido.
O Primeiro-Ministro português não vai vacilar relativamente ao cumprimento das metas que foram
acordadas pelo Estado português.
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Exatamente!
O Sr. Primeiro-Ministro: — Espero, Sr. Deputado, que, em todos os debates que venhamos a ter daqui
para a frente, o senhor se possa manter desiludido e eu firme em atingir os resultados necessários para
Portugal.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Deputado está a iniciar um caminho de demagogia fácil…
Vozes do PSD e do CDS-PP: — Muito bem!
Protestos do PS.
O Sr. Primeiro-Ministro: — … que, sinceramente, não creio que seja aquele que o País espera do Partido
Socialista.
Sr. Deputado, as previsões que existiam inicialmente, no Programa de Assistência Económica e Financeira,
que foi negociado pelo Partido Socialista, apontavam para uma contração importante do Produto português em
2012 e apontavam também o desemprego, Sr. Deputado. Onde estavam, nessa altura, o seu coração e a sua
sensibilidade social?!
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Deputado, que era presidente da Comissão de Economia, talvez tivesse uma noção muito precisa do
quadro de severidade que o Programa de Assistência Económica e Financeira previa para Portugal, em 2012.
Sr. Deputado, não sou de me assustar com os primeiros resultados nem de vacilar com aquilo que é mais
importante para o País, que é ter a certeza de que o Programa a que Portugal se comprometeu será bem-
sucedido, porque isso representará, para Portugal, a possibilidade de regressar aos mercados, a uma
trajetória de crescimento da economia e de criação de emprego. É isto que vamos conseguir, Sr. Deputado!
Mas há uma coisa que lhe posso garantir: o caminho da sensibilidade social que o Sr. Deputado diz
partilhar conduziu Portugal, pela primeira vez, à necessidade de, reconhecidamente, ter de negociar o mais
desfavorável compromisso externo desde 1974.
Portanto, Sr. Deputado, se a sua sensibilidade social equivale à bancarrota em Portugal, ainda bem que
não padeço do mesmo mal.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
A Sr.ª Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado António José Seguro.
O Sr. António José Seguro (PS): — Sr.ª Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, duas coisas muito claras, a
primeira das quais é a de que o Sr. Primeiro-Ministro não respondeu à minha pergunta. Compreendo porquê!
É que o senhor não tem respostas! O senhor não tem respostas nem para a minha pergunta, nem para o
problema do desemprego em Portugal!
Mas há uma coisa que toda a Câmara e todo o País notou, Sr. Primeiro-Ministro: o senhor está preocupado
comigo!