I SÉRIE — NÚMERO 91
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O Sr. António José Seguro (PS): — Sr.ª Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, em primeiro lugar, quero
cumprimentá-lo pela sua reeleição como líder do PSD. Em segundo lugar, quero dizer-lhe que ainda bem que
já reconheceu que o Banco Central Europeu deve ter um papel mais ativo — ainda não chegou lá, mas com o
tempo lá chegará.
Há vários meses que dizemos que consideramos fundamental que o Banco Central Europeu possa
funcionar como credor de último recurso e pudesse, simultaneamente, emprestar dinheiro diretamente aos
Estados.
Vozes do PS: — Bem lembrado!
O Sr. António José Seguro (PS): — O que está a ser feito não é isso, embora seja positivo.
Mas sabe, Sr. Primeiro-Ministro, gosto das coisas claras e gosto de opções políticas fundamentais, e o que
não é compreensível é que o Banco Central Europeu financie os bancos a 1% e que os Estados sejam
financiados por esses mesmos bancos a 7%, a 8% e a 9%.
Aplausos do PS.
Era fundamental que o Banco Central Europeu pudesse financiar diretamente os Estados. Isso seria um
contributo importante para a economia e para a diminuição do valor da dívida soberana.
Sr. Primeiro-Ministro, não há nenhuma novidade no pagamento de dívidas, a única novidade que hoje
ficámos a saber é o atraso.
O Sr. Primeiro-Ministro, há quatro meses, referiu que iria tomar essa iniciativa. Fê-lo, em dezembro, falando
em 2000 milhões de euros, fê-lo, ainda em dezembro, falando em 3000 milhões de euros e, agora, no
Orçamento do Estado, pelo menos em despesa direta, estão lá inscritos 1500 milhões de euros.
Mas se o senhor foi lento a tomar a decisão fundamental, foi rápido na propaganda, Sr. Primeiro-Ministro. É
que, ontem, vimos um comentador político do PSD exibir, na televisão, o relatório aprovado no Conselho de
Ministros. Quero dizer-lhe que lamento profundamente que, para este debate, o Governo não tenha tido a
gentileza e a obrigação, porque era o seu dever, de entregá-lo na Assembleia da República para que o
pudéssemos confrontar com esta proposta.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado, em primeiro lugar, muito obrigado pelos
cumprimentos que me endossou.
Em segundo lugar, à questão colocada sobre o papel do BCE, respondo-lhe que é conhecida a posição
que vários partidos, nomeadamente o Partido Socialista, têm tido quanto à mudança de natureza do BCE e é
conhecida — não há aí variação, estamos invariantes — a negativa que apresento relativamente a esse
objetivo.
Julgo que o BCE não tem nenhumas condições, nem hoje nem no futuro, de poder funcionar como
prestamista de última instância dos 27 Estados-membros da União Europeia e daqueles que, comprometendo-
se a estar no euro, devam beneficiar do apoio direto do BCE.
Julgo, no entanto, que é possível, como se comprovou, que o BCE esteja à altura das suas
responsabilidades em momentos muito especiais como são estes e, nessa medida, julgo também que o
financiamento que garantiu através do sistema financeiro permite nesta altura que toda a Europa, no seu
conjunto, não enfrente um risco de credit crunch, de um racionamento tal do crédito que pusesse em causa o
financiamento à economia.
Respondendo à questão do processo de pagamento de dívidas, dir-lhe-ei, Sr. Deputado, que não há
nenhum atraso sensível. Aquilo que se passa, e é conhecido de todo o País, é que o compromisso que
fizemos com a troica no sentido de poder executar este programa de pagamento de dívidas compreende,