O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

13 DE ABRIL DE 2012

19

Neste contexto, Os Verdes consideram que aquilo que seria prioritário e deveria ser o centro das atenções

dos responsáveis europeus, era exatamente remover a proibição relativa ao Banco Central Europeu para que

ele pudesse financiar diretamente os Estados-membros e expurgar, assim, do circuito estes bancos

intermediários, que arrecadam milhões e milhões de euros, suportados pelos Estados. Mas não, ao invés

disso, os senhores da Europa pretendem consagrar o pacto orçamental. Ao invés de procurarem soluções

para que os conceitos de coesão e de solidariedade começassem a fazer parte do vocabulário da União

Europeia, os senhores da Europa pretendem controlar totalmente a política económica dos Estados-membros.

Ao exigir-se a inscrição dos limites de défice orçamental significa que, em caso de incumprimento por parte

dos Estados, há lugar à imposição de medidas determinadas pela Comissão Europeia. Esta subordinação

determina a imposição de «programas de reformas estruturais», que podem passar pelas leis laborais, pelos

salários, pelas reformas e pensões, pelos serviços públicos, pela segurança social, e por aí fora, e — pasme-

se! — até há lugar à aplicação de sanções financeiras. Ou seja, os países que estão em dificuldade, em vez

de serem ajudados pela União Europeia, ainda vão sofrer sanções financeiras, o que certamente irá agravar

ainda mais a situação desses países. É o abandono definitivo da solidariedade e da coesão enquanto

premissas da União Europeia.

Mais: a transferência de soberania para a cada vez menos democrática União Europeia vai condicionar o

nosso Parlamento na definição das políticas sociais, económicas e orçamentais, arredando, assim, os

portugueses das decisões que mais importância revestem para as suas vidas. É uma facada na democracia

sem precedentes. As matérias orçamentais constituem a questão-chave de qualquer povo em termos de

soberania.

Este Tratado vai trazer também mais austeridade, quando é mais que sabido que a austeridade não é

solução, como, de resto, se está a ver hoje.

O agravamento das previsões da Comissão Europeia é a confirmação de que as medidas de austeridade

não funcionam, pelo contrário, têm até um efeito recessivo sobre a economia, o que pode tornar a ajuda

externa um problema recorrente.

Neste contexto, Os Verdes consideram que o que está em causa com este Tratado é sério de mais para

não ouvir os portugueses. Os portugueses foram sempre arredados de se pronunciarem diretamente sobre o

futuro da União Europeia, que, ainda por cima, de tratado em tratado, tem esvaziado soberania nacional,

concentrando poderes noutros níveis de decisão, muito, mas muito longe dos portugueses — um verdadeiro

poder sem rosto.

A verdade é que se torna cada vez mais difícil justificar a razão pela qual os portugueses não são

chamados a pronunciarem-se por via de um referendo. Aliás, esta dificuldade já levou, no passado, o PS e o

PSD a formarem algumas farsas de vontade de realização de referendo, logo contribuindo, contudo, para a

sua inviabilização.

Hoje, um referendo nesta matéria apresenta várias virtudes, que certamente enriqueceriam a nossa

democracia, entre as quais destacamos a possibilidade de um amplo debate de esclarecimento sobre o

conteúdo dos Tratados, bem como o reforço da capacidade de decisão concreta sobre a vinculação, ou não,

do Estado a determinadas regras neles impostas.

Os Verdes consideram, assim, que é tempo de materializar essa consulta, e, por isso, propõem que seja

convocado um referendo sobre o Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e

Monetária. Concorda com a aprovação do Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governação na União

Económica e Monetária? É isto, e apenas isto, que Os Verdes propõem que se pergunte aos portugueses.

Não tenhamos medo do que acham os portugueses, do que sentem, da avaliação que fazem do processo

europeu. Vamos ouvir os portugueses, não vamos transformá-los numa carta fora do baralho. Vamos ouvi-los!

A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Muito bem!

Vozes do PCP: — Muito bem!

A Sr.ª Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Vitalino Canas.

Páginas Relacionadas
Página 0036:
I SÉRIE — NÚMERO 95 36 disponibilidade dos partidos do consenso europ
Pág.Página 36
Página 0037:
13 DE ABRIL DE 2012 37 prestação de cuidados de saúde, dando especial atenção às pe
Pág.Página 37
Página 0038:
I SÉRIE — NÚMERO 95 38 estrangeiro, tornando-se por isso necessário,
Pág.Página 38
Página 0039:
13 DE ABRIL DE 2012 39 imigrantes e que permite, inclusivamente, a detenção de cria
Pág.Página 39
Página 0040:
I SÉRIE — NÚMERO 95 40 A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Ainda par
Pág.Página 40
Página 0041:
13 DE ABRIL DE 2012 41 A Sr.ª Cecília Honório (BE): — Julga mal!
Pág.Página 41
Página 0042:
I SÉRIE — NÚMERO 95 42 A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para apre
Pág.Página 42
Página 0043:
13 DE ABRIL DE 2012 43 Não é a imigração que é um problema, é a ilegalidade
Pág.Página 43
Página 0044:
I SÉRIE — NÚMERO 95 44 independentemente da nacionalidade, e que não
Pág.Página 44
Página 0045:
13 DE ABRIL DE 2012 45 O que é isto, Sr. Ministro? O que é que significa exatamente
Pág.Página 45
Página 0046:
I SÉRIE — NÚMERO 95 46 O Sr. Carlos Peixoto (PSD): — Numa palavra, os
Pág.Página 46
Página 0047:
13 DE ABRIL DE 2012 47 O Sr. Carlos Peixoto (PSD): — Até porque, Srs. Deputa
Pág.Página 47
Página 0048:
I SÉRIE — NÚMERO 95 48 os mesmos procedimentos e não tenha sido debat
Pág.Página 48
Página 0049:
13 DE ABRIL DE 2012 49 Vozes do PS: — Muito bem! A Sr.ª Ana Catarina
Pág.Página 49
Página 0050:
I SÉRIE — NÚMERO 95 50 Vozes do CDS-PP: — Exatamente! O
Pág.Página 50
Página 0051:
13 DE ABRIL DE 2012 51 O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Termino, Sr.ª Presidente, d
Pág.Página 51
Página 0052:
I SÉRIE — NÚMERO 95 52 muito menos com a proposta de lei! Porque, ent
Pág.Página 52
Página 0053:
13 DE ABRIL DE 2012 53 Segundo ponto, Sr. Deputado António Filipe: V. Ex.ª, que fez
Pág.Página 53
Página 0054:
I SÉRIE — NÚMERO 95 54 A próxima sessão plenária realizar-se-á amanhã
Pág.Página 54