21 DE JUNHO DE 2012
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Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — Mas não precisa de me ouvir a mim. Bastava ouvir o Deputado do
Partido Socialista, Dr. Basílio Horta, que, em funções anteriores, esteve ligado diretamente ao esforço de
captar investimento estrangeiro, para perceber que muito dele se perde porque o Estado não é justo, não é
rigoroso, não é diligente e tem um peso enorme de burocracia. Mesmo não querendo acreditar em mim,
bastava acreditar em quem passou pelo setor e teve experiência viva nesses problemas.
Sr. Deputado Luís Campos Ferreira, diz bem quando refere que «queremos ter melhor Estado». Acho que
era isso que devíamos estar a discutir hoje: como é que devíamos fazer, qual é o contributo para termos um
melhor Estado, um Estado rigoroso e, por isso, justo, um Estado competente, um Estado que seja amigo do
investimento, um Estado que, sem pôr em causa nenhum princípio de defesa ambiental, de defesa do
interesse da saúde pública, possa, ainda assim, ser amigo do investidor, porque é isso que nos permite criar
emprego, criar riqueza. Gostava de reforçar que é isso que está aqui em causa.
Se olharem com atenção para o que é proposto no sistema da indústria responsável verão que lá estão
elencados vários níveis de perigosidade, que há mecanismos de controlo mais apertados consoante a
perigosidade, mas tem também, e esse é um facto, aquilo que é do mais elementar bom senso. Para zonas
definidas para instalação industrial que estejam perfeitamente identificadas e onde não haja qualquer risco,
porque não o licenciamento zero? Não é facilitar, é confiar em quem investe! É confiar em quem cria emprego,
é confiar em quem vai investir a sua riqueza, que seguramente não será incauto ao ponto de pôr em causa
esse mesmo investimento, atropelando regras e não cumprindo com a legislação.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — É, pura e simplesmente, confiar nos portugueses e confiar nos
investidores.
Temos conseguido — contra a atuação da esquerda, é um facto! — fazer um conjunto de investimentos e
captar algum investimento.
Hoje mesmo assistimos àquilo que, para o PCP, devia ser uma boa notícia, pois há muito tempo que o PCP
chama a atenção para o nosso potencial mineiro, para a riqueza do subsolo: são 258 milhões de euros
investidos, são 58 contratos assinados e, porventura, mais dois que não foram anunciados hoje mas que
ficaram prometidos que Portugal assinará, e isto só para potenciar a nossa indústria mineira.
Mas há mais: assinámos também há muito pouco tempo, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros,
fruto da cooperação do AICEP — e eu chamo a atenção que, para além desta reforma, há hoje uma atuação
complementar, de colaboração, que ultrapassa vários ministérios do Governo — e que permite, por exemplo,
como aconteceu com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e com o Ministro da Economia, um contrato de 150
milhões de euros investidos na economia, com a criação de 352 postos de trabalho, ou seja, assinámos ajudas
e acordos com empresas que vêm reforçar a capacidade de criar emprego.
Portanto, estamos a falar de realidades que já existem. Aliás, o mesmo também acontece com o programa
Impulso Jovem, que mais não é do que retirar constrangimentos; do que estamos a falar é de facilitar, é dos
tais custos de contexto que muitos empresários dizem que é o pior custo, e se o Estado retirar esses custos de
contexto deixa que a economia siga o seu rumo.
Agora, o que espero e o que garantimos aqui é que estaremos atentos para que todas as regras de
mercado funcionem. Uma boa cultura de concorrência, uma boa cultura de responsabilidade, tudo isso deve
ser reforçado e não vejo que esteja em causa aqui. Porquê? Porque, primeiro, temos a revisão do quadro legal
normativo, que é um dos primeiros pilares, e, segundo, temos a ampliação e a reestruturação do balcão do
empreendedor.
Devemos ou não incentivar o empreendedorismo? Devemos ou não fazer o que o Governo hoje anunciou,
ou seja, uma reforma do capital de risco público? O que fez o Governo? Juntou três empresas de capital de
risco para ter capacidade financeira para ajudar pequenos projetos empreendedores e para ter capital de risco.
Portanto, não é só uma medida! Hoje, discutimos esta, mas há um conjunto de medidas, que são mais
eficazes quanto mais coerentes forem entre si, quanto mais de complementarem, e, portanto, não é justo não
discutir esta medida, alertando para possíveis riscos, e vir depois trazer um conjunto de outras matérias que