21 DE JUNHO DE 2012
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Perante este quadro, o Governo tinha duas opções: ou imitar o executivo anterior, que se obstinou num
estado de negação, tentando desdizer a dimensão local da crise nacional e nada fazendo para a consertar, ou,
ao contrário, assumir o problema e achar um modo mais idóneo de o solucionar, mesmo em circunstâncias
desfavoráveis. Foi esta última a opção do atual Governo, em esforço de consenso com a Associação Nacional
dos Municípios Portugueses.
Por isso, o Grupo Parlamentar do PSD saúda a coragem e o comprometimento patriótico de uns e de
outros, que constitui o bom contraste com as intenções mais ou menos patéticas de algumas forças políticas
radicais de tentarem compulsivamente obstaculizar as melhores soluções para os problemas mais graves que
a todos afetam e que todos deveriam tentar resolver.
Já o mesmo, aliás, tem acontecido com a reforma da administração local, que apesar disso, ainda hoje,
com a eleição da Unidade Técnica para a Reorganização Territorial, conhece mais um passo em frente.
Aliás, queria aproveitar este ensejo, Sr. Secretário de Estado, para fazer um elogio público ao ex-ministro e
atual Deputado Pedro Silva Pereira por ter finalmente desvendado ontem, no Jornal de Notícias, um ano
depois, as intenções da troica quanto à expressão «redução significativa das autarquias locais» contida no
Memorando final, já que essas explicações confirmam de forma indesmentível que o Governo e a maioria
parlamentar, com a presente lei da reorganização territorial, fazem a interpretação adequada e aquela que
melhor consegue conciliar o imprescindível cumprimento das condições a que o Estado português se obrigou
com as exigências de racionalidade organizativa de que a nossa administração autárquica carece.
Aplausos do PSD.
Sr. Presidente, Sr. Secretário de Estado, este Programa de Apoio à Economia Local significa a mais valiosa
e útil defesa dos municípios neste momento de aflição financeira. Expressa ainda rigor, verdade e
responsabilidade no uso de dinheiros públicos, precisamente aquilo que nos últimos anos mais tem faltado.
Por isso, o Grupo Parlamentar do PSD apoia esta iniciativa e louva este esforço do Ministério e da
Secretaria de Estado que V. Ex.ª representa.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado Mota Andrade.
O Sr. Mota Andrade (PS): — Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Sr.as
e Srs. Deputados: As
autarquias locais, muito particularmente os municípios, foram ajustando a sua organização interna de
funcionamento às novas realidades sociais.
A autonomia financeira, que lhes permite dispor de património, finanças e receitas próprias, foi fator
essencial desse ajustamento.
Face à grave situação económica e financeira que vivemos, os municípios e as freguesias são, em primeira
linha, aqueles que sofrem o embate do aumento da pobreza, da exclusão, do desemprego que afeta milhares
de famílias e às quais urge dar uma resposta social. A assunção pelos municípios, no atual contexto, de
responsabilidades que não lhes estão legalmente cometidas, devido ao inegável sentido de Estado que os
eleitos detêm, tem permitido que sejam colmatadas pelo poder local muitas insuficiências do Estado na
resposta a problemas, sem que existam as necessárias transferências financeiras por parte da administração
central.
Estes fatores, conjugados com a impossibilidade de os municípios acederem ao crédito em condições
vantajosas para sanar as dificuldades financeiras, não permitem a consolidação das contas públicas e estão a
asfixiar muitos municípios que se encontram em situação de desequilíbrio estrutural.
Após a aprovação e entrada em vigor da Lei n.º 8/12, a lei dos compromissos, que ainda carece ainda de
ser regulada mediante decreto-lei, o Governo verificou que a sua aplicação à administração local tem de ser
objeto de acompanhamento e monitorização, bem como da adoção de medidas de boas práticas. O PS, em
devido tempo, levantou as suas dúvidas e reservas sobre este regime. Lamentamos que, só agora, o Governo
tenha acordado.