I SÉRIE — NÚMERO 122
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Simultaneamente, alega o Governo que a solução adotada pretende ajudar os municípios a regularizar as
dívidas vencidas há mais de 90 dias e promover a revitalização das economias locais com a aprovação do
Programa de Apoio à Economia Local.
É de realçar que a contestação que os autarcas e a Associação Nacional de Municípios Portugueses
fizeram às medidas avulsas, como as da retenção de 5% do IMI, a suspensão dos projetos do QREN e a
reforma da administração local, deu os seus frutos e obrigou o Governo a dialogar.
Agora, o Governo apresenta a proposta de lei n.º 73/XII, para que a Assembleia da República se pronuncie,
à cautela, por poderem existir divergências de interpretação do Tribunal de Contas.
O Partido Socialista manifesta, mais uma vez, o seu desagrado pelo facto de as reformas do poder local se
ficarem por medidas pontuais e urgentes, como a presente, e que as reformas estruturais fundamentais, como
a Lei das Finanças Locais, as atribuições e competências e a Lei Eleitoral Autárquica, ainda estejam, por parte
da maioria, «no segredo dos deuses».
Sobre o presente diploma, o Partido Socialista manifestou já que constituem fatores positivos, em primeiro
lugar, a criação desta linha de crédito, que vai dar uma folga a alguns municípios, nomeadamente aos que
estão em situação de desequilíbrio estrutural, permitindo o pagamento a fornecedores e, em segundo lugar,
que tenha existido um diálogo e negociação com a ANMP, embora seja público que o mesmo não foi isento de
críticas no seio dessa mesma Associação.
Mas o Partido Socialista também não deixou de tecer algumas críticas, considerando como extremamente
negativas as contrapartidas exigidas aos municípios: a libertação de 250 milhões de euros de projetos do
QREN, já aprovados para outros programas; o aumento das taxas, das tarifas, dos tarifários nos setores do
saneamento, água e resíduos e impostos municipais, o que contribui para o agravamento da situação social,
económica e financeira das famílias portuguesas; a exigência de que os municípios que intentaram processos
judiciais, providências cautelares e ações administrativas em matérias objeto do acordo apenas possam ser
contemplados pelo programa desde que desistam dos respetivos processos.
Verifica-se no texto da proposta de lei que, relativamente aos municípios que aderirem voluntariamente a
este programa — e que o Governo já anunciou serem cerca de 263, sendo 53 os municípios a serem
abrangidos pelo Programa I e 210 os que se podem candidatar ao Programa II —, existem algumas
divergências com o texto do acordo e não existe ainda qualquer regulamentação das obrigações e demais
compromissos assumidos no acordo pelo Governo, o que merece da nossa parte alguma reserva por se
desconhecer esse enquadramento.
Não obstante, o PS não inviabilizará esta iniciativa, tendo em vista os aspetos atrás referidos.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Margarida Neto.
A Sr.ª Margarida Neto (CDS-PP): — Sr. Presidente, Srs. Secretários de Estado, Sr.as
e Srs. Deputados: Na
atual conjuntura de emergência nacional, fruto da difícil situação financeira para a qual fomos atirados pela
irresponsabilidade da governação do anterior Governo, há que assegurar que o municipalismo e a
descentralização administrativa não fiquem em risco.
Além do conjunto de medidas de reforma administrativa, há que garantir que os municípios portugueses
cumpram as suas responsabilidades e obrigações financeiras, não por uma qualquer medida de puro
favorecimento e contabilidade política de momento, não por interesses partidários ou simplesmente
casuísticos mas, sim, tendo em vista o superior interesse nacional e o restabelecimento da soberania.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
A Sr.ª Margarida Neto (CDS-PP): — Temos, hoje, muitas das nossas autarquias tolhidas pelo
incomportável aumento da dívida dos últimos anos. Isto tem causado situações de asfixia financeira e de
verdadeira paralisação dos serviços. Pior, tem contribuído para o enfraquecimento do tecido empresarial local,
sufocado pela falta de liquidez dos órgãos autárquicos locais, incapazes de respeitar os seus compromissos.