29 DE JUNHO DE 2012
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O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Nem precisa de agradecer, Sr. Deputado João Serpa Oliva.
O Sr. Agostinho Lopes (PCP): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado João Serpa Oliva, as parcerias público-
privadas são um escândalo e esse escândalo levou, inclusive, a Assembleia da República a criar uma
comissão de inquérito.
O Sr. Deputado conhece o atribulado processo da parceria público-privada do Hospital de Braga, um
processo conturbado, desde o seu início, com conflitos com os profissionais, com imensas reclamações dos
utentes, com desacordos com a tutela, o qual levou a vários ajustamentos posteriores e a situações graves de
violação do contrato, que originaram coimas do valor de 4,5 milhões de euros, Sr. Deputado. Esperamos,
aliás, que este Governo não venha a absolver o Grupo Mello destas coimas!
Conhecemos o problema dos preços especulativos do parque de estacionamento daquele Hospital, que,
como recentemente ficámos a saber, são para o Serviço Nacional de Saúde, para a Administração Regional
de Saúde do Norte, como se fossem umas outras taxas moderadoras.
A parceria mantém imposições ao nível da medicamentação e exige taxas moderadoras, inclusive a
doentes crónicos, sem qualquer razão, nomeadamente a doentes com esclerose múltipla.
E veja-se a seriedade com que a gestão responde a esta Assembleia. Em março, a Comissão de Saúde
visitou o Hospital, teve um encontro com a gestão e fez perguntas, que, na altura, não obtiveram resposta por
falta de tempo, mas foram, agora, respondidas. E, à pergunta sobre o acesso do gestor público ao sistema
informático, respondeu agora a parceria público-privada de Braga. A pergunta era: «A falta de acesso ao
sistema informático, de que o antigo gestor se queixava, está resolvida?». Diz o gestor: «Sim, sendo
importante referir que o gestor do contrato sempre teve acesso irrestrito ao sistema informático do hospital».
Veja-se, agora, o que dizia o gestor: «Durante os meses de trabalho desta equipa nas instalações do
Hospital de Braga, a entidade gestora do estabelecimento não reuniu as condições de acesso para que a
equipa de gestão do contrato pudesse ter acesso ao portal interno nem foram facultadas as credenciais para
acesso direto à base de dados da via de acesso remoto».
Muito parecidas as respostas de um e de outro, como o Sr. Deputado João Serpa Oliva pode verificar!…
Pergunto-lhe, Sr. Deputado, se, depois de tudo isto, e tendo em vista os dinheiros públicos e a resposta
aos problemas dos utentes deste Hospital, o Grupo Parlamentar do CDS-PP não entende que deveria ser feita
uma avaliação séria e fundamentada ao funcionamento deste Hospital e a toda esta parceria público-privada.
E, se entende que esta avaliação deveria ser feita, por que razão o CDS excluiu esta e outras parcerias
público-privadas do âmbito da atual comissão de inquérito às parcerias público-privadas, nesta Assembleia da
República?!
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Deputado João Serpa Oliva.
O Sr. João Serpa Oliva (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Agostinho Lopes, antes de mais,
agradeço ao Partido Comunista Português a cedência deste minuto, que espero não gastar.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Gaste à vontade!
O Sr. João Serpa Oliva (CDS-PP): — Obviamente, dou-lhe inteira razão, Sr. Deputado Agostinho Lopes,
pois acho que o Estado, como entidade reguladora que é em tudo, quer no SNS, quer nas PPP, quer no
público, quer no privado, tem de estar permanentemente a regular. E, atendendo a esse papel, estou
inteiramente de acordo consigo, pois entendo que, se, efetivamente, há situações suscetíveis de serem
emendadas e melhoradas, essas situações devem, efetivamente, ser melhoradas. É bom, no entanto, não se
esquecer de que todas as parcerias foram suspensas, enfim, para uma nova regulação, mas também lhe digo
que os senhores estiveram com as parcerias público-privadas, ou seja, estas tiveram o vosso voto em
anteriores votações nesta Câmara.