I SÉRIE — NÚMERO 127
22
Portanto, concordo consigo quando diz que é absolutamente necessária uma vigilância sobre todo o
Serviço Nacional de Saúde e, obviamente, sobre as parcerias público-privadas.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
A Sr.ª Presidente: — Srs. Deputados, vou identificar os oradores que estão inscritos para intervir, o que
não fiz há pouco.
Estão ainda inscritos os Srs. Deputados José Luís Ferreira, de Os Verdes, Elza Pais, do PS, Couto dos
Santos, do PSD, e António Serrano, do PS.
Sr. Deputado José Luís Ferreira, tem a palavra.
O Sr. José Luís Ferreira (Os Verdes): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Em jeito de balanço
sobre a política do Governo para a saúde, o que constatamos é que num ano, e apenas durante um ano, as
políticas do Governo destruíram uma grande parte do Serviço Nacional de Saúde que demorou décadas a
construir e a consolidar.
Em apenas um ano, o Governo PSD/CDS piorou substancialmente o acesso dos portugueses à saúde, um
direito fundamental nos termos da nossa Constituição.
Em apenas um ano, o Governo está a deixar cada vez mais doentes fora do Serviço Nacional de Saúde.
E, diga o Governo o que disser, a verdade é que cada vez mais doentes estão a deixar de comprar os
medicamentos, porque o orçamento familiar não estica, não chega para tudo. Nesta circunstância, dispensa-se
a compra de medicamentos, que de certa forma foram elevados a um bem de luxo, face à situação financeira
das famílias imposta pelas políticas de austeridade do atual Governo.
E, diga o Governo o que disser, a verdade é que cada vez mais doentes deixam de ir ao hospital, porque
não têm recursos financeiros, muitas vezes nem têm dinheiro para pagar o transporte para se deslocarem aos
serviços de saúde ou até para pagarem as taxas moderadoras.
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!
O Sr. José Luís Ferreira (Os Verdes): — As tais «gorduras» do Estado estavam afinal na área da saúde.
As «gorduras» estavam no transporte de doentes; as «gorduras» estavam nos valores das taxas
moderadoras, nos centros de saúde que o Governo encerrou, nos hospitais, que conheceram cortes
absolutamente assustadores; as «gorduras» eram afinal os doentes do nosso País, que pagaram ao longo da
vida os seus impostos para poderem contar com o Estado quando precisassem, e agora, quando precisam, o
Estado vira-lhes as costas.
O Governo manda os doentes ir a pé para o hospital e obriga-os a pagar valores absurdos nas taxas
moderadoras, que já nada moderam, porque o Governo acabou por transformá-las em verdadeiras taxas de
serviços. É este o resultado das políticas do Governo para a saúde.
Estamos a falar de resultados que de certa forma não surpreendem, porque a política do Governo para a
saúde pouco mais tem sido do que encerrar serviços de saúde por todo o País, de que, aliás, é exemplo o
anúncio do encerramento da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, que é feito sem qualquer fundamento técnico,
sem estudos que sustentem essa decisão e sem que o Governo apresente argumentos válidos que justifiquem
esse encerramento.
Depois, cortes cegos atrás de cortes cegos nesta área tão sensível, de que é exemplo o corte nos recursos
humanos, que está a colocar em causa o próprio funcionamento dos serviços, como sucede no caso dos
cuidados primários.
E, por fim, do que resta, do pouco que sobra, do pouco que fica, uma intenção declarada do Governo de
transferir os custos para os utentes, que já pagam mais no que respeita à saúde do que a média que se
verifica nos países da OCDE.
Mas, ao mesmo tempo que assistimos à redução da despesa do Serviço Nacional de Saúde, assistimos ao
aumento dos encargos do Estado com as parceiras público-privadas. Em 2012, os encargos com as parcerias
público-privadas aumentaram 23,5%, ou seja, mais 61 milhões de euros do que em 2011. O Estado tem, em
2012, mais 61 milhões de euros de encargos com as parcerias público-privadas do que os encargos totais de