29 DE JUNHO DE 2012
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A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Vai «morder», vai!
O Sr. Couto dos Santos (PSD): — Esta é a vossa forma de fazer democracia. Há que respeitar, e eu
respeito.
Mas já estamos habituados, neste Parlamento, a que a esquerda ortodoxa, e a esquerda mais à esquerda,
encarem a solução dos problemas na saúde lançando dinheiro para cima deles. Sistematicamente, perante
problemas a solução é o reforço orçamental.
Estes partidos estão tão convictos desta teoria que nem reconhecem a enorme contradição que esta
posição encerra em si mesma: ao mesmo tempo que aproveitam um pequeno desvio na publicação de
números sobre a execução orçamental para acusarem o Governo de que não vai cumprir o défice, apresentam
logo a seguir várias propostas no Parlamento para aumentar a despesa pública e gerar mais défice.
Vozes do PSD:—- Muito bem!
O Sr. Couto dos Santos (PSD): — Até parece que seriam felizes se não se cumprissem as metas do
défice.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Não se vão cumprir! Daqui a seis meses falamos!
O Sr. Couto dos Santos (PSD): — Se assim for, estou convicto de que ficarão infelizes enquanto este
Governo governar.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O PCP conhece bem e tem consciência da situação financeira do país, pelo que propor mais despesa ou é
irresponsabilidade política ou populismo inaceitável. A democracia permite o direito à demagogia, mas a ética
e a responsabilidade políticas condenam esses comportamentos.
A esquerda não acredita nos ganhos de eficiência por boa gestão e mostra não ter confiança nas
capacidades dos profissionais e gestores do Serviço Nacional de Saúde para fazerem mais e melhor com o
mesmo orçamento, conforme demonstram os resultados de medidas de gestão adotadas pelo Ministério da
Saúde, nomeadamente em alguns hospitais e serviços.
Acreditamos nesses profissionais e gestores e por isso deixamos aqui o nosso reconhecimento pelo
esforço e contributo que têm dado para melhorar a prestação dos cuidados de saúde e para combater o
desperdício, melhorando a relação com o utente.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Sr.as
e Srs. Deputados: Para o PSD, o Estado social é uma conquista irrefutável da democracia e um pilar
da União Europeia. Gostaria de recordar à esquerda ortodoxa, e até à esquerda mais à esquerda, que tanto
falam no Estado social, que este tem origem na matriz ideológica da social-democracia e que o Serviço
Nacional de Saúde foi criado e implementado em Portugal devido ao impulso político da social-democracia e
do socialismo democrático.
Aplausos do PSD.
Por isso, custa-me ouvir, hoje, nesta Casa, falar em desmembramento do Serviço Nacional de Saúde,
porque é nossa génese daquilo que acabei de enunciar, e jamais será de considerar esse conceito.
O Sr. Luís Menezes (PSD): — Muito bem!
O Sr. Couto dos Santos (PSD): — VV. Ex.as
, que invocam, permanentemente, o Estado social, ao menos
reconheçam a origem deste património. O PSD não renega a sua história.