I SÉRIE — NÚMERO 127
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Portanto, gostaríamos que tudo estivesse melhor, mas, ao fim de um ano, temos de dizer que,
reconhecidamente, estamos bem pior e isso não é bom para nenhum português.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado João Semedo.
O Sr. João Semedo (BE): — Sr. Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: É minha convicção que esta política
de saúde é insustentável e, ao longo do debate, verificou-se que ela era também indefensável pelas bancadas
que apoiam o Governo, o PSD e o CDS.
O PSD nega a realidade; o CDS troca a realidade pelas promessas. O PSD ignora que, nos primeiros
meses do ano, os centros de saúde fizeram menos 327 000 consultas, houve menos 219 000 urgências
hospitalares, houve menos 330 000 urgências em centros de saúde, serviços de atendimento permanente. É
caso para perguntar aos Srs. Deputados do PSD, tão preocupados que estão com os doentes: acham que os
doentes melhoraram por não ir às consultas? Eu acho que não.
O CDS substitui, de facto, a realidade pelas promessas. Mas convinha até que dissessem as promessas tal
como elas foram feitas e as avaliassem em função daquilo que são hoje os resultados.
Lembro-me ainda, no início desta sessão legislativa, de o Sr. Deputado Serpa Oliva, tentando calar as
bancadas da oposição, dizer que a regulamentação das medicinas alternativas — e tinha tido a garantia da
Direção-Geral de Saúde — estava pronta dois dias depois.
Passaram oito meses, oito meses, oito meses!… E nem proposta, nem projeto, nem anteprojeto, nem
anteproposta, nada! Zero!
A Sr.ª Teresa Caeiro (CDS-PP): — Sr. Deputado, sabe perfeitamente que é a Direção-Geral que tem de
fazer isso!
O Sr. João Semedo (BE): — Mas vamos aos cuidados continuados, de que a Sr.ª Deputada Teresa Caeiro
falou. Queria lembrar-lhe, Sr.ª Deputada, que o seu Governo fez, de facto, muitas promessas nesta matéria e
gostava de lhe lembrar exatamente essas promessas.
O Governo prometeu que, até ao final do ano, teria mais 2222 camas em funcionamento. Sabe qual é o
último número prometido pelo Governo? É 537, 537!
A Sr.ª Teresa Caeiro (CDS-PP): — Esse é o das que já foram!
O Sr. João Semedo (BE): — Se isso é cumprir as promessas, se isso é desenvolver a rede de cuidados
continuados, Sr.ª Deputada, então, estamos conversados!
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Pizarro.
O Sr. Manuel Pizarro (PS): — Sr. Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: No final deste debate sobre a
situação do Serviço Nacional de Saúde, há dois diagnósticos que parecem absolutamente evidentes. O
primeiro deles — e todos os números que aqui foram enunciados demonstram, de forma clara, que é um
diagnóstico absolutamente acertado — é o de que o Serviço Nacional de Saúde está em perda, está em
crise,…
O Sr. Carlos Zorrinho (PS): — Muito bem!
O Sr. Manuel Pizarro (PS): — … oferece menos cuidados aos portugueses, está a recuar na sua
capacidade de garantir mais saúde para Portugal.