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I SÉRIE — NÚMERO 8

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manter um clima de pânico, não é manter um clima de insegurança sobre a empresa, sobre os seus postos de

trabalho. É isso, e só isso, que os senhores têm feito.

Protestos da Deputada do PCP Carla Cruz.

Lendo este projeto de resolução, percebe-se muito claramente o que o Bloco de Esquerda quer para a

televisão pública: quer uma estatização absoluta, quer uma imutabilidade absoluta, quer que nada mexa.

O Bloco de Esquerda quer, ainda, uma coisa extraordinária, Sr.ª Deputada Cecília Honório, que desafio,

com toda a retórica e todos os artifícios, a explicar aos portugueses. É que os senhores querem, muito

claramente, algo que é preciso dizer aos portugueses, perguntar-lhes se o querem e se o admitem, que é uma

RTP não apenas sustentada pela contribuição do audiovisual, mais a publicidade, mas com rendas pagas pelo

Estado.

O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Ora bem!

O Sr. Raúl de Almeida (CDS-PP): — Ou seja, tencionam que os portugueses paguem com os seus

impostos esse acréscimo na RTP, que os senhores querem pela burocratização, pelo excesso de quadros,

pelo excesso de meios e pela existência de uma empresa pesada e não sustentável pelo País, que é —disso

não temos dúvidas — o maior fator de condenação do futuro da RTP; e daqui não saímos.

Uma RTP pública, como o CDS sempre defendeu,…

Protestos da Deputada do BE Cecília Honório.

… a prestar serviço público de televisão só tem futuro com um plano que salvaguarde a sua viabilidade e

que seja sustentável para os portugueses.

Os senhores dizem que, comparativamente com outros países europeus, este serviço está muito bem —

eventualmente, comparado com a Alemanha. Só que, infelizmente, Sr.ª Deputada, os portugueses não

ganham o mesmo que ganham os alemães, o nível de vida em Portugal é diferente do nível de vida na

Alemanha, e temos, para corrigir erros do passado, que caminhar numa direção e num caminho longo do qual

a RTP,…

A Sr.ª Mariana Aiveca (BE): — É o caminho do abismo!

O Sr. Raúl de Almeida (CDS-PP): — … como televisão dos portugueses e para os portugueses, não pode

distanciar-se.

O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!

O Sr. Raúl de Almeida (CDS-PP): — Nesse sentido, o que é que os senhores fazem? Criam o espetro —

as palavras são estas — do despedimento massivo. Dizem que não há debate público,…

A Sr.ª Inês de Medeiros (PS): — E não houve debate!

O Sr. Raúl de Almeida (CDS-PP): — … quando ontem, em comissão parlamentar, o Sr. Ministro disse que

seria reforçado o debate público e que os documentos que agora conhecemos são documentos abertos,

sujeitos a discussão, sendo o Parlamento e toda a sociedade convidados a participar.

Os senhores, à partida, não querem participar, dizem que está fechado. Será uma desculpa? Não sei,

francamente não sei.

Querem, ainda, proibir tudo o que seja atividade empresarial normal nesta empresa. Querem o quê?

Congelar, manter tudo como dantes, manter uma RTP que é um peso para o País, que não se adequa aos

portugueses, que não é competitiva, que não cria um laço efetivo com os portugueses e que não é

sustentável.

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