O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 3

36

O Estado Islâmico é considerado a maior, a mais rica e a mais violenta das organizações terroristas que

jamais existiram, mais do que a própria Al-Qaeda, a partir da qual evoluiu, e por isso não pode ser

subestimado.

Estamos perante uma doutrina das mais retrógradas e violentas, que encontra nas tecnologias modernas,

na Internet e na venda de petróleo roubado, poderosos aliados. Estamos, sobretudo, confrontados com uma

doutrina totalitária que persegue e assassina, indiscriminadamente e sem piedade, todos os que não se

submetem às suas ordens e orientações.

É por isso que a progressão do Estado Islâmico é uma ameaça não apenas à estabilidade regional, mas

também à ordem internacional. E representa um enorme perigo devido às suas ambições de expansionismo e

pela sua capacidade de atração de novos jihadistas dispostos a tudo, provenientes de muitas partes do

mundo, inclusivamente de Portugal.

Assim, é muito importante que a comunidade internacional faça tudo para impedir o avanço e a

consolidação do denominado Estado Islâmico, como forma de anular a ameaça que representa a nível

regional e global. Se assim não for, este movimento de obscurantistas fanáticos tornar-se-á uma bomba ao

retardador, com elevado potencial destrutivo, não apenas no Médio Oriente e no Mediterrâneo, mas também

no mundo ocidental e noutras partes do planeta.

Neste contexto, seria importante que o Governo pudesse dar um sinal de solidariedade, mobilizando

instituições, de forma a dar resposta às muitas urgências que a sociedade civil e as populações afetadas têm

neste momento.

A Assembleia da República não poderia, por isso, deixar de condenar os crimes e as atrocidades que estão

a ser cometidas pelos jihadistas ligados ao Estado Islâmico e tudo o que ele representa, nem de dar um sinal

claro de que é preciso uma resposta eficaz, à escala global, para combater aquela que é, talvez, uma das

maiores ameaças que hoje o mundo enfrenta.

Aplausos do PS, do PSD e do CDS-PP.

A Sr.ª Presidente: — Pelo Bloco de Esquerda, tem a palavra, para uma intervenção, a Sr.ª Deputada

Mariana Mortágua.

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Sr.ª Presidente, Sr.as

e Srs. Deputados: O proclamado Estado Islâmico é

a expressão máxima e gratuita do poder indiscriminado do terror que se abate sobre populações indefesas,

obrigadas a migrações em massa, terror que se abate sobre as mulheres vítimas de violação como arma de

guerra e de uma opressão sem fim.

A ascensão desta forma máxima de terror não é expressão de qualquer religião, ao contrário do que alguns

tentam fazer crer, sendo certo que as principais vítimas do ISIS são precisamente as populações islâmicas

destes territórios.

Não pode haver nenhuma contemplação com esta força nem com os seus apoiantes externos, que devem

ser perseguidos e sancionados. Por isso, é mesmo preciso parar o fluxo financeiro através dos paraísos fiscais

que permite a subsistência desta forma de barbárie.

É, por isso, necessário e urgente sancionar quem financia, através da compra de petróleo, a construção

deste proto-Estado do terror.

Concordamos com o PSD quando, no seu voto, nos diz que a ascensão do Estado Islâmico vem provar

que o mundo está, hoje, mais perigoso e imprevisível, mas não nos esquecemos das alterações

geoestratégicas que potenciaram esta mudança no mundo: a invasão do Iraque, vergonhosamente sufragada

nos Açores por Durão Barroso, a pretexto de uma mentira infame, não só não trouxe a democracia e a

liberdade prometidas, como gerou o caos que se tem abatido, na última década, nesta região.

Independentemente das considerações sobre o que nos trouxe à calamidade atual, o que importa agora é

concentrar todos os esforços na defesa das populações que estão sob ocupação e a ser chacinadas.

O reconhecimento dos erros cometidos num passado recente deve levar-nos a recusar formas de

intervenção ilegítima, sem o mandato internacional da ONU, ao arrepio do direito internacional e sem o acordo

dos parceiros estratégicos.

Páginas Relacionadas
Página 0024:
I SÉRIE — NÚMERO 3 24 área da saúde (BE) e 1105/XII (3.ª) — Recomenda
Pág.Página 24
Página 0025:
20 DE SETEMBRO DE 2014 25 concreto, das tecnologias na saúde — sem ter feito o trab
Pág.Página 25