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20 DE DEZEMBRO DE 2014

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temos de olhar para ele com seriedade, mas também temos de aceitar que ele se traduz num presente, e o

presente é uma dívida pública que não é pagável, não é sustentável.

O Estado, hoje, endivida-se só para pagar dívida, não é para saúde, não é para educação, não é para

serviços públicos, e este é o problema. As metas são impossíveis, mas o esforço para lá chegar destrói o País,

é uma miragem, impede o País de crescer.

A solução do Governo, do PSD e do CDS-PP, da direita, é a de «não pagamos» — «não pagamos

pensões, não pagamos salários, não pagamos um futuro aos jovens, não pagamos um presente aos velhos

deste País»! Essa é a solução da direita!

Protestos do Deputado do PSD Hugo Lopes Soares.

A solução do PS, pelo que percebi neste debate, é a de uma terceira via recauchutada. A solução do PS é

a de pedir esmolas à União Europeia, é a de esperar por um milagre do Banco Central Europeu, é a de

esperar que a União Europeia mude. Aliás, a solução do PS parece ser a Merkel, porque a solução do PS

passa por convencer a Sr.ª Merkel a aceitar uma restruturação da dívida portuguesa, mas nem miragem disso

apareceu nos últimos três anos.

A pergunta que temos de colocar ao PS é a seguinte: e se a União Europeia não aceitar? E se a Sr.ª

Merkel não aceitar? E se Draghi não fizer o truque? O que é que acontece? Aceitam viver e governar nesta

destruição que denunciaram nos últimos três anos? Sejam coerentes! A proposta que têm é pedir esmolas à

União Europeia, por isso a pergunta que é preciso fazer é a seguinte: se a União Europeia não as der, o que é

que fazem nesse caso? É que, convenhamos, os sinais que temos desta União Europeia e desta união

monetária não são os mais favoráveis, pelo contrário são sempre na direção oposta. E não é o plano Junker

ou o plano Draghi que vão resolver este problema.

Vozes do BE: — Muito bem!

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — A solução que o Bloco de Esquerda propõe é, de facto, uma alternativa,

pois oferece um futuro que não seja austeridade eterna.

A Sr.ª Presidente: — Queira concluir, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Termino, Sr.ª Presidente, pedindo a mesma tolerância que concedeu

aos outros partidos.

Dizemos, com seriedade: sim, esta solução não é perfeita; sim, esta solução implica um confronto

duríssimo com as instituições europeias, mas esse é um confronto necessário para defender o País. Temos de

assumir isto, temos de assumir esta responsabilidade. Este confronto, em nome de uma restruturação da

dívida, é o que defende os portugueses, é o confronto que nos permite ter recursos por uma política industrial,

para apoiar os desempregados, para apoiar os pobres, para criar emprego. É o confronto de que precisamos

para não termos de vender o País a saldo a quem quer que venha comprar, venha de onde vier, em que

condições vier.

Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo, só esta restruturação permite libertar os recursos que nos

possibilitam crescer.

A Sr.ª Presidente: — Queira concluir, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Para terminar, a pergunta que fazemos é a seguinte: se todos

emigrarmos, quem é que fica para pagar a dívida?

Aplausos do BE.

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