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I SÉRIE — NÚMERO 8

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Passamos à votação do voto n.º 4/XIII (1.ª) — De pesar pelo falecimento do cineasta José Fonseca e Costa

(PS), que vai ser lido pelo Sr. Secretário.

O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presidente e Srs. Deputados, o voto é do seguinte teor:

«Faleceu, no passado dia 1 de novembro, José Fonseca e Costa, um dos mais expressivos nomes da

geração do Novo Cinema, nos anos 70, e realizador de filmes como Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra

de Pecado, escrito com Mário de Carvalho e David Mourão-Ferreira (1983), a Balada da Praia dos Cães, uma

adaptação do romance de José Cardoso Pires (1986), ou Cinco Dias, Cinco Noites, adaptação da novela de

Manuel Tiago, pseudónimo de Álvaro Cunhal (1996).

José Maria Carvalheiro Fonseca e Costa nasceu em Caála, Angola, a 27 de junho de 1933, de onde partiu,

em 1945, para Portugal para prosseguir os estudos.

Entre 1951 e 1955, frequentou o curso de Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que

não terminou para se dedicar à direção do Cineclube Imagem, o que lhe valeu ser preso, uma primeira vez

pela Pide, por ser considerada «atividade subversiva».

Impedido de se dedicar ao cinema, tendo, inclusive, visto ser recusada uma bolsa de estudo solicitada ao

Fundo do Cinema Nacional, para estudar cinema no Reino Unido, e de entrar para o quadro da recém-criada

RTP, fixa-se em Itália (1961), onde iniciou a sua incursão pelo mundo cinematográfico, tornando-se assistente

estagiário de Michelangelo Antonioni, na longa-metragem L'Eclisse.

José Fonseca e Costa falava com ironia dessa primeira prisão, pois foi "graças a ela" que decidiu envolver-

se mais ativamente na política. O que lhe valeu passar a ser regularmente vigiado e preso uma segunda vez,

mal regressa a Portugal em 1964.

Ficou inicialmente conhecido pelo seu trabalho como documentarista e realizador de filmes publicitários

sobre a indústria e o turismo, mas foi o seu percurso no movimento do Novo Cinema em Portugal, do qual foi

um dos pioneiros, que mais destacou Fonseca e Costa.

Entretanto, afasta-se da luta política, mas a sua primeira longa-metragem O Recado, em 1971, ainda é

profundamente marcada por esse seu percurso.

Defensor de um cinema popular, mas sempre com o mesmo grau de seriedade intelectual ou,

simplesmente, cinematográfica, com Kilas, o Mau da Fita, escrito com Sérgio Godinho, que também compõe a

lendária banda sonora, tem um dos maiores sucessos da história do cinema português.

Fonseca e Costa foi um dos sócios-fundadores do Centro Português de Cinema, tendo ainda pertencido à

Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais, ao Conselho de Administração da Tobis Portuguesa e

ao Conselho de Opinião da RTP.

O seu percurso inclui ainda o teatro, encenando, em 2012, O Libertino, a crítica cinematográfica nas

revistas Imagem e Seara Nova, bem como a tradução para português de livros da autoria de Sergei Eisenstein

e Guido Aristarco e de romances como Il Compagno, de Cesare Pavese, e Passione di Rosa, de Alba de

Cespedes.

Em 2014, a Academia Portuguesa de Cinema distinguiu-o com o Prémio Carreira.

O seu último documentário foi sobre a cidade de Lisboa, Os mistérios de Lisboa, a partir do guia escrito por

Fernando Pessoa em 1925 e encontrava-se atualmente em rodagem da longa-metragem Axilas, uma

adaptação de um conto de Rúben da Fonseca.

Fonseca e Costa, que gostava de se definir como um ser livre "iconoclasta, destruidor de templos,

independente e irreverente, bastante avesso a grupos e a escolas", constitui um marco inegável na história do

cinema português.

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresenta a toda a sua família e amigos as suas sinceras

condolências».

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar.

Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.

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