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I SÉRIE — NÚMERO 55

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Sr. Primeiro-Ministro, vamos a um outro tema. Nós acompanhámos a sua visita à Grécia e queremos dizer-

lhe, de uma forma muito clara, que acompanhamos a preocupação e a solidariedade do Governo com o povo

grego, desde logo, e com o drama dos refugiados que estão na Grécia. Sobre este aspeto temos uma posição

que é muito comum, pelo que não vou perder muito tempo com isso, Sr. Primeiro-Ministro. Mas nesta visita, por

sua iniciativa, com certeza também, houve mais do que a abordagem ao tema dos refugiados. Houve, aliás, uma

ocasião que deu para percebermos a cumplicidade política entre o Governo português e o Governo grego. E

isso, Sr. Primeiro-Ministro, fez com que se desse uma imagem de que as situações vividas nos dois países são

similares. Essa imagem é um erro estratégico para o nosso País, com todo o respeito pela Grécia e pelo povo

grego. Nós, em Portugal, tivemos efetivamente um resgate, mas a Grécia vai no terceiro; nós acabámos esse

resgaste com sucesso, a Grécia ainda não encerrou o terceiro e depara-se com a necessidade de fazer e tomar

medidas muito difíceis, e ainda ontem foi anunciado, por exemplo, o aumento do IVA — espero que o Sr.

Primeiro-Ministro não tenha ido à Grécia para se inspirar, francamente espero que isso não esteja em cima da

mesa.

Aplausos do PSD.

Sr. Primeiro-Ministro, pergunto: não acha um erro esta aproximação, do ponto de vista da credibilidade e da

reputação do Estado português e, mais do que isto, do ponto de vista do respeito por aquele que foi o esforço

bem-sucedido dos portugueses nos últimos anos? Isto porque nós só não estamos iguais à Grécia porque as

famílias e as empresas portuguesas estiveram à altura da responsabilidade. Não é um erro esta aproximação,

Sr. Primeiro-Ministro?

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.

O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr. Presidente, Sr. Deputado Luís Montenegro, o Governo não comenta aquela

que é a atividade de outros órgãos de soberania, designadamente da Assembleia da República.

Vozes do CDS-PP: — Oh!…

O Sr. Primeiro-Ministro: — O Governo coopera com a Assembleia da República, como coopera com todos

os órgãos de soberania.

Ainda ontem, o Sr. Deputado Marques Guedes disse que era urgente o Ministro das Finanças vir à Comissão

Parlamentar de Inquérito prestar novos esclarecimentos e, imediatamente, o Ministro das Finanças se dispôs a

vir cá novamente.

Os membros do Governo estarão sempre disponíveis para virem à Assembleia da República.

Aplausos do PS.

Vozes do PSD: — Seria um erro não virem!

O Sr. Primeiro-Ministro: — Um erro seria o Governo português manter na União Europeia a política

submissa de ausência dos principais dossiers da política europeia, em vez de procurar ter uma posição ativa

em todas as questões centrais da política europeia. Hoje, uma das questões centrais da crise europeia é a crise

dos refugiados. Recolocar Portugal no centro da política europeia é dar prioridade a Portugal no contributo que

pode dar para a resolução de uma questão, que é uma questão comum a toda a Europa, e não se pôr numa

posição egoísta de entender que é um problema dos gregos.

Um erro seria o Governo português procurasse diferenciar-se da relação com todos os 28 Estados-membros

da União Europeia em função da sua orientação política ou da sua composição governamental. O Governo

português é amigo de todos os países da União Europeia e procura, com todos, ter as melhores relações

possíveis.

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