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I SÉRIE — NÚMERO 75

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O Sr. João Oliveira (PCP): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Nadiia Savchenko foi oficial das Forças

Armadas ucranianas tendo participado na guerra do Donbass, cumprindo funções na linha da frente como

corretora do fogo de artilharia e integrando como voluntária o batalhão Aidar, um batalhão de assalto, constituído

essencialmente por voluntários das designadas forças de autodefesa da Maidan e do setor de direita.

O batalhão Aidar, criado em maio de 2014, por iniciativa de um dos comandantes dessas designadas forças

de autodefesa da Maidan, Sergey Melnichuk, recebeu financiamentos de um dos principais oligarcas ucranianos

Ihor Kolomoyskyi.

Este batalhão Aidar ficou conhecido pela sua associação a correntes neonazis e de extrema-direita e à

ostentação da simbologia nazi e está referenciado por atrocidades e crimes de guerra cometidos no distrito do

Lugansk contra a população.

Savchenko foi acusada e julgada pelo envolvimento na morte de dois jornalistas russos, em junho de 2014,

nos arredores da cidade de Lugansk e condenada, em março, a 22 anos de prisão, tendo sido agora indultada

aquando da troca com dois cidadãos russos prisioneiros na Ucrânia.

Foi já depois de detida na Rússia que aderiu ao partido Pátria, de Yulia Timoshenko, e integrou as suas listas

nas legislativas ucranianas de outubro de 2014, sendo eleita Deputada da Rada, passando então à reserva nas

Forças Armadas.

Está neste momento em curso uma vasta campanha de mistificação de Nadiia Savchenko que procura

transformar uma combatente extremista de um batalhão neonazi numa suposta heroína da libertação nacional

e símbolo da luta contra a Rússia.

Essa operação de branqueamento de Nadiia Savchenko não está desligada da própria situação que se vive

na Ucrânia, do violento cerceamento de liberdades e direitos civis, políticos e sindicais, de medidas securitárias

e repressivas do anticomunismo, da perseguição e repressão de antifascistas e democratas.

Condenando a brutal violência e a negação de direitos, liberdades e garantias fundamentais exercida pelas

autoridades de Kiev, defendendo uma solução política e pacífica para o conflito no Donbass, pela parte do PCP,

não contribuiremos para que a gravidade da situação que se vive na Ucrânia seja ignorada e para que a ação

das forças nazi-fascistas seja branqueada ou esquecida.

Votaremos, por isso, contra o voto subscrito por Deputados do PSD, do PS e do CDS.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda.

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Não temos nenhuma simpatia

pelo que representa politicamente Nadiia Savchenko e temos o mais profundo repúdio pelas ideias que ela

defendeu e pelas quais ela se bate.

Por isso, no que toca a essa vertente deste voto, repudiamos o que ele representa e, acima de tudo, as ideias

que ele legitima, mas não escondemos que a libertação de Nadiia Savchenko foi feita com o acordo das duas

partes, Ucrânia e Rússia, e que isso pode significar um passo para o fim do conflito existente que tem tido como

principal prejudicado o povo ucraniano.

Assim sendo, também não estaremos contra este voto no que a esta parte diz respeito, quanto ao passo que

foi dado que esperamos que seja no sentido da paz.

Assim, e para terminar, o Bloco de Esquerda optará pela abstenção em relação ao voto agora em apreço.

Aplausos do BE.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Duarte Marques, do PSD.

O Sr. Duarte Filipe Marques (PSD): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Parlamento deve assinalar a

libertação de Nadiia Savchenko não apenas pela sua libertação, mas o princípio do diálogo entre dois países

desavindos e, sobretudo, a libertação de prisioneiros dos dois lados da barricada.

Nadiia Savchenko foi condenada a 22 anos de cadeia, foi detida…

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