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I SÉRIE — NÚMERO 80

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de coisas dominado pela privação da liberdade e dos direitos humanos mais elementares e pela omnipresença

da violência.

Tomar a decisão de propor um voto de condenação sobre os acontecimentos de dia 8 de junho nos termos

em que foi proposto — um voto que ilude a raiz do problema — a ocupação ilegal, ilegítima e criminosa do

território palestino e a repressão que a suporta — é eticamente reprovável mas é também um insulto ao sacrifício

dos milhares de vítimas deste conflito, incluindo os do passado dia 8 de junho. Ao fazê-lo, o CDS coloca-se do

lado da extrema-direita que governa hoje o Estado de Israel, dos ministros que consideram os homens e

mulheres palestinos como animais (http://www.timesofisrael.com/new-deputy-defense-minister-called-

palestinians-animals/), dos que clamam que se «corte o mal pela raiz», apelando à punição coletiva das

populações (http://www.haaretz.com/israel-news/1.724089), dos que objetivamente são os responsáveis pela

perpetuação da repressão e, nessa medida, por todas as vítimas do conflito, israelitas e palestinos, no Estado

de Israel ou nos territórios ocupados em 1967, cristãos, judeus ou muçulmanos.

Se o CDS quisesse de facto honrar a memória dos cidadãos mortos no passado dia 8 de junho, não

instrumentalizaria as suas mortes para tentar que o Parlamento português caucione a violenta repressão e o

terrorismo do Estado de Israel. Se quisesse de facto que esta Câmara expressasse o pesar pela perda daquelas

vidas, deveria ter atentado nas palavras lúcidas do Presidente da Câmara de Tel Aviv, Ron Huldai, eleito pelo

Partido Trabalhista, proferidas nos momentos seguintes àqueles dramáticos acontecimentos: «Devemos ser o

único país do mundo onde uma outra Nação está sob ocupação e sem direitos civis (...) não podemos manter

um povo sob uma situação de ocupação e esperar que ele conclua que tudo isso é natural»

(http://www.timesofisrael.com/tel-aviv-mayor-links-terror-attack-to-occupation-sparking-outcry/).

O PCP condena o assassinato daqueles cidadãos israelitas, mas também condena aquilo que fica de fora

do voto com intentos mistificadores por parte do CDS: a prolongada repressão do povo palestino pelo Estado

de Israel. Reafirmamos por isso, neste momento, a nossa solidariedade com as vítimas de todas as formas de

terrorismo, desde logo com o povo da Palestina e com a sua causa nacional e o seu inalienável direito à

resistência, à autodeterminação e à liberdade.

Os Deputados do PCP, Carla Cruz — João Oliveira.

——

O ideário do PAN assenta numa matriz filosófica baseada na não-violência pelo que é solidário com todos os

gestos e ações que promovam esta forma de ser e de estar na sociedade.

O termo terrorismo é genericamente definido como: «o uso de violência, física ou psicológica, através de

ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir

medo, pânico e, assim, obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo,

antes, o resto da população do território. É utilizado por várias instituições como forma de alcançar seus

objetivos, como organizações políticas, grupos separatistas e até por governos no poder».

Porém, este é recorrentemente usado por instituições e indivíduos de modo descontextualizado e

desvinculado de uma análise geopolítica profunda. Sendo que o ato em si, seja ele qual for, possa ser qualificado

de terror, as condições psicossociais e económicas que o possam motivar poderão também derivar de atos

considerados terroristas. A perpetuação da violência, sempre injustificada, contra pessoas ou comunidades, por

determinados grupos ou fações, deverá por tal ser sempre condenada, porém, bem contextualizada.

Estamos solidários com o voto de condenação n.º 95/XIII (1.ª), apresentado pelo CDS, relativo ao atentado

terrorista cometido em Tel Aviv, mas afirmamos que o mesmo carece de uma formulação contextual mais precisa

que reporte e aprofunde a complexidade do conflito israelo-palestiniano. Deste modo, o PAN abstém-se neste

voto de pesar.

Não obstante, enviamos as nossas condolências às famílias e amigos de todos os vitimados no atentado em

Israel.

O Deputado do PAN — Pessoas-Animais-Natureza, André Silva.

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