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I SÉRIE — NÚMERO 84

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O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Ora, já não gostam!

O Sr. Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP): — Basta ver os resultados dos seus parceiros políticos, quando,

noutros países, têm a oportunidade de governar. Na Grécia — a Grécia dos seus amigos do Syriza —, o

desemprego continua acima dos 24%, segundo dados do Eurostat. E, por exemplo, noutro hemisfério, na

Venezuela, um regime que mereceu um forte encorajamento de tantos socialistas, como Mário Soares, o FMI

calcula que a taxa de desemprego passará de 8%, em 2014, para 14%, em 2015, e para 18%, em 2016. Trata-

se do nível mais alto desde 2003, mas o FMI acredita que o desemprego ainda vai continuar a crescer nas

próximas décadas.

Infelizmente, também em Portugal os resultados desta política estão à vista. De acordo com os dados do

Eurostat, o investimento apresenta a pior evolução em termos homólogos, ou seja, menos 2,5%, e os dados de

abril reforçam a tendência de inversão ou desaceleramento do ciclo de baixa do desemprego. Isto é, desde o

início de 2013, em que se atingiu o cume do desemprego, 17,7%, até ao momento da cessação do anterior

Governo, altura em que esse valor baixou para 11,9%, conseguiu baixar-se o desemprego em 5,8%, uma

diferença de mais de 142 000 postos de trabalho. Mas, infelizmente, essa queda do desemprego tem vindo a

desacelerar, graças às políticas apoiadas pelo Bloco de Esquerda.

Como sabemos, há meses piores do que outros, nos números do desemprego, mas desde que há dados

sobre esta matéria, desde outubro de 2013, que sempre desceu, à exceção deste último abril, quando o PS

chegou ao Governo. Estes são indicadores preocupantes, mas pior, na medida em que evidenciam a

sensibilidade social, e ao contrário do que apregoa, a taxa de cobertura das prestações de desemprego baixou,

desde que este Governo assumiu funções, de 50% para 44%.

Numa coisa estamos de acordo com o Deputado José Soeiro. Disse ele, hoje e aqui, que ser desempregado

é ser uma vítima, e, acrescento, ser desempregado, hoje, é ser vítima das políticas apoiadas pelo Bloco de

Esquerda.

Aplausos do CDS-PP e do PSD.

Por isso, não, o Bloco de Esquerda não é amigo dos desempregados e não está realmente preocupado com

quem procura emprego.

Neste contexto, o anúncio de ameaça de um referendo à permanência na União Europeia, colando o País à

grande instabilidade económica que a decisão do Reino Unido acarreta, em primeiro lugar, para os cidadãos e

para a economia daquele País, revela uma total irresponsabilidade, uma total ausência de sensibilidade diante

dos mais vulneráveis e, nomeadamente, dos desempregados, aqueles que são os principais visados pela onda

de instabilidade.

Em suma, estamos diante de um hooligan contra a economia, um hooligan que depois surge na veste cândida

a pedir cuidados para as vítimas das suas políticas.

Em suma, é isto que hoje aqui discutimos.

Aplausos do CDS-PP.

A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Tiago

Barbosa Ribeiro.

O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — Sr.ª Presidente, o Sr. Deputado Filipe Anacoreta Correia falou sobre

a Venezuela, a Grécia, mas não falou sobre a Albânia e outros países, como Espanha…

O Sr. FilipeAnacoretaCorreia (CDS-PP): — Também falei de Portugal!

O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — Sim, também falou um bocadinho de Portugal, mas falou mal! Falou

mal!

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