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I SÉRIE — NÚMERO 84

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É claro que a realidade do PSD e do CDS foi muito diferente. Todos nos lembramos daquela demissão

irrevogável em que Paulo Portas se impôs como Vice-Primeiro-Ministro.

A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Bem lembrado!

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Bem, mas esses traumas do PSD é que teimam em ser ultrapassados,

nada têm a ver com a realidade agora vivida.

O Sr. Jorge Duarte Costa (BE): — Muito bem!

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — O Sr. Secretário de Estado colocou em cima da mesa a vontade do

Governo em ter um novo paradigma no que toca ao acompanhamento dos desempregados.

Da parte do Bloco de Esquerda, com toda a frontalidade, dizemos-lhe que é mesmo necessário um novo

paradigma. Assistimos ao descaramento — veja-se — de uma Deputada do PSD referir que a prioridade do

PSD era aumentar a proteção social. Isto vindo do mesmo partido que, quando estava no Governo, cortou em

10% o subsídio de desemprego a quem estava desempregado há mais de seis meses. Os desempregados de

longa duração, no pico do desemprego no nosso País, tiveram um corte de 10% no seu subsídio de desemprego,

e chamam a isso proteção social!

Aplausos do BE.

Protestos do PSD e do CDS-PP.

Este é o descaramento do PSD e do CDS e é por isso que temos de mudar este paradigma.

E, para nós, mudar o paradigma é começar pelos valores e, acima de tudo, acabar com o preconceito para

com os desempregados. O Estado não deve olhar para os desempregados com um pau e dizer-lhes que eles

são uns malandros que não querem trabalhar. Não é assim que um Estado moderno olha para as pessoas e

não é assim que um Estado assume as suas responsabilidades,…

O Sr. Jorge Duarte Costa (BE): — Muito bem!

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — … porque sabemos que o Estado pode e deve ter uma economia que

cria emprego. O PSD destruiu-a e nós sabemos que temos de ter a sensibilidade social para responder às

dificuldades da vida das pessoas.

É este o primeiro ponto de viragem do paradigma: encarar os desempregados como pessoas a quem é

negada a entrada no mercado de trabalho, porque a economia ainda não cria as oportunidades que lhes são

devidas.

Em segundo lugar, acabar com esta romaria quinzenal aos centros de emprego. E acabar mesmo! Não é

tornar mensal, não é tornar bimensal. É acabar com a ideia de que as pessoas vão lá porque sim, só porque

alguém tem de lhes pôr a vista em cima para garantir que eles não são uns malandros que não querem trabalhar.

Este é que é o preconceito que tem de acabar!

Aplausos do BE.

A Sr.ª Isabel Pires (BE): — Dignidade! Chama-se dignidade! Vocês não sabem o que é!

O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Esta mudança de paradigma que o Sr. Secretário de Estado aqui referiu,

traz também um desafio ao Bloco de Esquerda, e nós percebemo-lo. Queremos acabar com estas

apresentações quinzenais, registamos a disponibilidade do Governo para esse caminho e damos também aqui

a nossa disponibilidade para revermos todo o modelo de acompanhamento dos desempregados.

Temos de acabar com a ideia de que o Estado abandona os desempregados porque estão desempregados,

que apenas os quer punir, não os quer ajudar. Não! Queremos um Estado que queira acompanhar os

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