1 DE JULHO DE 2016
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O corte no Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) é superior à introdução de 1% do IMI urbano de
receita para as freguesias.
Nas contas feitas pela ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias), as freguesias ficaram a perder, como
ficaram a perder as populações.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Mais uma vez, a realidade veio dar razão ao PCP. Não o afirmamos
com regozijo, afirmamo-lo por termos alertado em devido tempo para as consequências negativas da eliminação
de freguesias. O PCP denunciou os impactos profundamente negativos que esta decisão teria no território e na
vida das populações.
A extinção de freguesias foi a antítese daquilo que deve acontecer a este nível de organização administrativa
do Estado. Perdeu-se proximidade. Perdeu-se representatividade política. Perdeu-se participação popular.
Perdeu-se identidade cultural. Perdeu-se capacidade reivindicativa. Reduziram-se mais de 20 000 eleitos de
freguesia. Perguntamos: quais foram as vantagens? A resposta é fácil e a vida está aí para o demonstrar:
nenhumas!
Hoje, os eleitos estão mais afastados das populações. Têm mais dificuldades em acompanhar e dar resposta
aos problemas e preocupações das populações.
A extinção de freguesias inseriu-se numa estratégia mais vasta de subversão do poder local democrático.
Com esta medida, PSD e CDS foram responsáveis pelo empobrecimento do nosso regime democrático. Esse
era um dos objetivos do PSD e do CDS.
Mas tinham outros objetivos: aniquilar uma voz incómoda, reivindicativa, que traz para a luz do dia inúmeros
problemas sentidos pelas populações, que exigem a intervenção do Governo. Quantas e quantas vezes os
eleitos de freguesia, incorporando as reivindicações das populações, transportam e dão voz a essas
reivindicações junto de outros níveis de poder!
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Na iniciativa que hoje trazemos a debate propomos que sejam
repostas as freguesias onde os órgãos autárquicos tenham tomado posição contra a sua extinção. Propomos
um procedimento para que os órgãos autárquicos que o pretendam possam alterar a sua posição por intermédio
dos seus órgãos deliberativos e propomos ainda a repristinação da Lei n.º 8/93, de 5 de março, que estabelece
os critérios para a criação de freguesias.
A nossa iniciativa obedece a um princípio que nos parece fundamental: respeitar a vontade das populações
e as posições assumidas pelos órgãos autárquicos, sem esquecer que é à Assembleia da República que cabe
decidir sobre a criação de freguesias.
Aplausos do PCP.
Não somos só nós que temos este entendimento. No parecer da Associação Nacional dos Municípios
Portugueses (ANMP), esta entidade refere que considera adequados os objetivos e os procedimentos
consagrados nesta iniciativa legislativa, uma vez que comete às populações, através da pronúncia dos órgãos
deliberativos autárquicos, a possibilidade de proporem as soluções mais adequadas para os seus territórios em
termos de organização territorial das freguesias.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: É chegado o momento de a Assembleia da República, no quadro das
suas atribuições e competências, tomar decisões. A Assembleia da República, enquanto órgão de poder
representativo da vontade do povo, não pode ignorar as reivindicações populares e deve ir ao encontro dos seus
interesses. As posições expressas pelas populações e pelos órgãos autárquicos devem ser respeitadas.
No atual contexto político, há uma enorme expectativa das populações para a mudança e para a reposição
das freguesias, que nunca deveriam ter sido extintas. Há uma enorme expectativa para que não se perca esta
oportunidade de repor as freguesias no próximo ato eleitoral autárquico.
Não há nada que impeça que esta discussão avance. Não há nada que impeça que se concretize a devolução
das freguesias às populações onde estas assim o desejem. Não há nada que impeça a Assembleia da
República, que tem reserva de competência para a criação de freguesias, de repor as freguesias.
Não há pressa ou precipitação, o que há é uma vontade de dar corpo, expressão e tradução legislativa à
vontade popular. Não há nenhum problema em repor as freguesias. Problema existirá caso se insista em manter
o atual quadro administrativo territorial, desajustado da realidade e contra a vontade das populações.