1 DE JULHO DE 2016
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Pergunte, Sr.a Deputada, aos representantes das uniões de freguesia criadas se elas são menos
democráticas. Ao contrário, ganharam escala e mantiveram a mesma proximidade às populações. Ao contrário,
nesse sentido houve um robustecimento do nosso regime democrático.
Ressalta aqui, por isso, uma perspetiva bem diferente entre nós, a respeito da questão do número da
quantidade de cargos políticos. Sim, é verdade, contra a vossa vontade, reduzimos o número de cargos políticos
nas freguesias. Mas é verdade, também, que reduzimos contra a vossa vontade os cargos políticos encapotados
nas empresas municipais. É verdade, também, que reduzimos contra a vossa vontade os cargos políticos nos
gabinetes de apoio nos municípios. Também é verdade que extinguimos, contra a vossa vontade, os cargos
políticos nos governos civis. E é ainda verdade que defendemos, ao contrário dos partidos que sustentam o
Governo, a redução do número de cargos políticos aqui, na Assembleia da República.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. António Lima Costa (PSD): — Nós defendemos a redução do número de Deputados.
É também verdade, Sr.as e Srs. Deputados, que somos frontalmente contra a vossa intenção, a intenção dos
partidos que sustentam o Governo, de criação de dezenas de novos cargos políticos nas Áreas Metropolitanas
de Lisboa e Porto.
Aplausos do PSD.
Portanto, este debate tem, pelo menos, a virtude de lembrar e de deixar bem claro a quem nos ouve esta
diferença fundamental entre o PSD, de um lado, e o Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda e Partido
Socialista, do outro. Os portugueses sabem quem está do lado certo.
A segunda razão para estarmos aqui hoje a debater estes projetos que o PS vai mandar para o arquivo morto
tem a ver com o clima de guerra fria instalado entre o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda,
neste caso numa autêntica competição para ver quem bajula mais os autarcas.
Vozes do PCP: — Esses são os vossos critérios!
O Sr. António Lima Costa (PSD): — Se o projeto de lei do Partido Comunista Português vem exigir a
reversão da reforma das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, logo aparece um projeto de lei do
Bloco de Esquerda a propor o mesmo, mas com recurso a referendos locais. Claro que o Partido Socialista e o
Governo assobiam para o lado.
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. António Lima Costa (PSD): — Se o projeto de lei do Bloco de Esquerda acena com os referendos
locais, o Partido Comunista antecipa-se e anuncia logo, no seu próprio projeto de lei, que essa pretensão do
Bloco de Esquerda é, simplesmente, inconstitucional. Claro que o Partido Socialista e o Governo assobiam para
o lado.
O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — Muito bem!
O Sr. António Lima Costa (PSD): — E assobiam para o lado porque, nesta matéria, como noutras, não são
carne, nem são peixe. Jogam com as palavras, usam meias verdades e, porque estão em campanha eleitoral,
anunciam um novo tempo e alimentam falsas expectativas a todos.
A uns prometiam que reporiam as freguesias mal chegassem ao Governo, a outros diziam que corrigiriam
apenas alguns erros. A uns garantiam que antes das eleições autárquicas tudo estaria resolvido, a outros diziam:
«Qual é a pressa?!».
Na realidade, o Partido Socialista e o Governo seguem uma estratégia óbvia: assobiar para o lado e empurrar
para a frente com a barriga. Uma estratégia, aliás, bem ilustrada com a ausência do Governo neste debate!
Onde está o Governo?