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I SÉRIE — NÚMERO 86

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A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Partido Socialista agendou um

debate sobre o sistema financeiro que consideramos muito oportuno. Estranhamos o agendamento porque o

Governo se tem sistematicamente recusado a responder às perguntas que o PSD colocou sobre a Caixa Geral

de Depósitos, que é o maior banco do sistema financeiro português, tal como não respondeu às perguntas que

lhe colocámos sobre as interferências num banco privado e na relação entre os seus acionistas. Mas ainda

assim é um debate oportuno e necessário.

Só que, como habitualmente, Governo e partidos da maioria tentam escrever a história à sua medida, em

vez de explicarem aos portugueses como, porquê e quanto do nosso dinheiro tencionam gastar.

Até há bem pouco tempo, o Governo garantia que a economia ia crescer, criar emprego, fazer regressar os

emigrantes, que a devolução de rendimento às famílias seria o motor desse crescimento, que não havia

problemas que não fossem assim magicamente ultrapassados, que o País só precisava de crescer e que era a

sua receita que o iria garantir.

Era o tempo novo. Só que o tempo novo, afinal, é o tempo velho, dos velhos hábitos.

O Sr. Luís Montenegro (PSD): — Muito bem!

A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — As coisas começam a correr mal, porque só podiam correr mal e

aparecem as desculpas. É o Governo anterior, é a Europa, é o Brexit, é a crise em Angola, no Brasil, na China,

são os especuladores financeiros que deixam de nos emprestar dinheiro quando lhes dizem que não queremos

pagar. Enfim, a culpa é de tudo e de todos, mas nunca é o resultado das suas ações.

Chegam ao ponto de argumentar que a saída do Programa de Ajustamento, em 2014, não foi uma saída

limpa,…

O Sr. MiguelTiago (PCP): — Nota-se! Foi uma limpeza!

A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — … porque não deixou todos os problemas resolvidos.

O PS, o PCP e o Bloco de Esquerda não ouviram o que o PSD disse na campanha para as eleições de 2015?

Dissemos que a situação do País estava melhor, mas ainda era frágil. Avisámos que a recuperação tinha de ser

gradual, ponderada, com os pés assentes no chão. Lembrámos que o pior já tinha passado, mas que era preciso

manter o rumo, com determinação, para proteger o presente e o futuro. Alertámos para que prometer dar tudo

a todos, de imediato, sem custos, era um conto de crianças.

O Sr. João Pinho de Almeida (CDS-PP): — Ora bem!

A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — Os portugueses ouviram e entenderam — e tanto assim é que

ganhámos as eleições. O PS, o PCP e o BE não ouviram, não perceberam, ou fazem de conta, o que, para

desgraça de todos nós, vai dar ao mesmo.

E ainda ouvimos o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças, lamentarem-se que têm problemas para

resolver. O que diriam se tivessem recebido 78 000 milhões de euros de problemas para resolver, num País à

beira da bancarrota?

Aplausos do PSD e do CDS-PP.

Ou se tivessem de governar a partir de um Memorando que não negociaram, para recuperar o País de uma

bancarrota na qual não tiveram responsabilidade, pondo o interesse de Portugal e dos portugueses à frente de

tudo?

Quando chegaram ao Governo — e é bom lembrá-lo — receberam uma economia a crescer 1,5%, acima da

média da União Europeia, receberam um défice que foi de 3%, excluindo o BANIF, a dívida pública a diminuir,

a taxa de desemprego a baixar, as exportações a crescer, os cofres cheios para fazer face a qualquer imprevisto.

O Sr. Bruno Dias (PCP): — Enquanto o PSD continuar nisto, estamos bem!

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