O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 90

28

O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado João Ramos, do

PCP.

O Sr. JoãoRamos (PCP): — Sr. Presidente, Sr.as Secretárias de Estado do Turismo e Adjunta do Primeiro-

Ministro, Srs. Deputados: A discussão dos três projetos de resolução do PS sobre turismo merece-nos um reparo

inicial de estranheza relativamente às propostas apresentadas. Em primeiro lugar, pela forma como os projetos,

excessivamente singelos, surgiram e foram sendo substituídos; em segundo lugar, porque o PS apresenta hoje

os conceitos de turismo científico e de saúde, sendo que a Estratégia Turismo 2027, publicada em março deste

ano, portanto há dois meses, não se refere a esses conceitos.

O Grupo Parlamentar do PS está já a propor a alteração desta Estratégia implementada pelo Governo a 10

anos e não passaram ainda dois meses.

Vozes do PCP: — Muito bem!

O Sr. JoãoRamos (PCP): — Para além disso, não podemos deixar de sublinhar a falta de consideração,

por parte destes projetos, em relação a um problema central no setor do turismo: a precariedade laboral e as

condições de sobreexploração e, em muitos casos, degradantes a que os trabalhadores do setor são sujeitos.

O setor do turismo é um importante setor da economia nacional, mas é redutor classificar o seu sucesso

apenas pela análise do número de dormidas, dos rendimentos e dos proveitos, que têm vindo a aumentar, e

ainda bem, mas que não revertem para os trabalhadores, e ainda mal.

Não há sucesso no setor se os trabalhadores e os seus direitos não forem respeitados. Pior ainda se esse

sucesso for conseguido à conta da sobreexploração dos trabalhadores.

Em matéria de sucesso, a situação de regiões como Lisboa, Porto e Algarve, ou seja, regiões do continente,

não se repete nas restantes regiões. Por tudo isto, não enquadrar devidamente o discurso do sucesso é não

respeitar os milhares de trabalhadores fundamentais para o funcionamento do setor e verdadeiros responsáveis

pela riqueza criada, é não respeitar os milhares de pequenos empresários que mantêm, com dificuldade, as

suas pequenas unidades no interior do País.

A intervenção do PCP nesta discussão já abordou os projetos que falam em turismo científico e em turismo

de saúde, o que, na realidade, não são efetivamente iniciativas sobre turismo.

Gostaria agora de fazer uma referência ao projeto que recomenda que se promova a implementação de

medidas que alarguem a procura turística a todo o território nacional, que, como proclamação, é algo que

acompanhamos, até porque a falta de dispersão pelo território é efetivamente um problema.

Sobre esta matéria, chegou-nos, recentemente, a preocupação de entidades regionais de turismo,

instituições fundamentais para a promoção dos territórios, com a intenção de o Governo transferir competências

na área de promoção destas entidades para as comunidades intermunicipais. Há algo de incoerente em tudo

isto.

O PCP tem afirmado que, no setor do turismo, se deve garantir a competitividade e a viabilidade económica

dos destinos e empresas nacionais, sem recurso a baixos salários e trabalho precário; que o desenvolvimento

das suas potencialidades é inseparável da elevação das condições de vida e acesso da população; que se deve

combater a sua marcada sazonalidade, salvaguardar o património natural e cultural, aprofundar a diversificação

dos mercados emissores e intensificar a sua internacionalização; que se deve reforçar a afirmação das regiões

de turismo enquanto entidades motoras do desenvolvimento regional, associadas a dinâmicas do poder local.

As propostas do PCP para o turismo não se desligam das medidas de apoio às pequenas e médias empresas,

não se desligam da melhoria das condições de vida para a generalidade dos trabalhadores para poderem

exercer o seu direito ao lazer, não se desligam da manutenção nas mãos do Estado de setores estratégicos

para o desenvolvimento do País, como, por exemplo, dos transportes.

Os trabalhadores e as micro, pequenas e médias empresas do setor do turismo poderão sempre contar com

o PCP para que as condições de sucesso, que hoje apenas são possíveis para alguns, possam, efetivamente,

chegar a muitos mais.

Aplausos do PCP.

Páginas Relacionadas
Página 0038:
I SÉRIE — NÚMERO 90 38 O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presi
Pág.Página 38
Página 0039:
20 DE MAIO DE 2017 39 semana de 12 a 14 de maio pela atuação profissional, dedicada
Pág.Página 39