O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 2

4

género. Estabelece que, no âmbito do processo educativo, em que a construção da consciência de género é

gradual, não pode no ensino básico nenhuma criança ser discriminada pela sua identificação com um género

diferente daquele que a identifica no registo civil, mas estabelece também a afirmação da impossibilidade de

práticas intrusivas que questionem ou ponham em causa, relativamente a recém-nascidos, por opção de

terceiros, situações identificadas pela comunidade científica com uma dimensão significativa em que a

identificação do género não é clara.

O que esperamos da Assembleia da República, do debate hoje travado mas, sobretudo, do debate que será

travado na especialidade, é uma participação construtiva para encontrar soluções que, com base no percurso

que orgulha Portugal, nos levem mais longe no respeito pelos direitos fundamentais, pelos direitos humanos,

nomeadamente pela igualdade de direitos para todas e para todos.

Aplausos do PS e do Deputado do BE José Manuel Pureza.

O Sr. Presidente: — Para apresentar o projeto de lei n.º 242/XIII (1.ª), tem a palavra a Sr.ª Deputada Sandra

Cunha.

A Sr.ª Sandra Cunha (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo: Saudamos

a proposta de lei do Governo que pretende ir mais longe na garantia dos direitos e na proteção das pessoas

trans. O Bloco de Esquerda dá o seu próprio contributo nesta matéria e defende o direito à autodeterminação

enquanto direito humano fundamental.

Podermos levantar-nos todos os dias e sentirmo-nos bem na nossa pele, podermos ser quem somos sem

constrangimentos parece coisa simples mas não o é para toda a gente. Não o é para todas as pessoas cuja

identidade de género não combina com o sexo com que nasceram.

A lei da identidade de género, de 2011, veio permitir a alteração do sexo e nome próprio no registo civil, sem

necessidade de um processo judicial mas obrigando à apresentação de um relatório médico comprovativo de

disforia do género. Este é um dos principais obstáculos ao pleno gozo dos direitos humanos das pessoas trans:

fazer depender de terceiros a definição daquilo que se é e que, na realidade, só a própria pessoa sabe, sente e

vive no mais íntimo do seu ser. Esta patologização, esta etiqueta de doença mental é promotora de uma

estigmatização social inaceitável e de um sofrimento cruel e desnecessário.

A despatologização e o reconhecimento da autodeterminação de género enquanto direito fundamental e

enquanto condição imprescindível ao livre desenvolvimento da personalidade são hoje reconhecidos

internacionalmente e estão expressos na Resolução 2048 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa.

A Organização Mundial de Saúde já anunciou que iria retirar da área da saúde mental, do compêndio da

Classificação Internacional de Doenças, as categorias de diagnóstico relativas a pessoas trans. Países como a

Dinamarca, a Suécia, a Irlanda, a Noruega ou Malta já deram este passo. Está na hora de, em Portugal, fazermos

o mesmo e de garantirmos o direito à autodeterminação de género a cidadãos nacionais e estrangeiros, mas

também o acesso, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, às intervenções cirúrgicas e aos tratamentos

farmacológicos e outros que estas pessoas requeiram por forma a fazer corresponder o seu corpo à sua

identidade de género.

Está na hora de promovermos medidas efetivas contra o generismo e a transfobia e de garantir a não

discriminação destas pessoas na saúde, na educação e também no âmbito laboral.

Srs. Deputados, Sr.as Deputadas: Sabemos que a consciência de que se nasceu no corpo errado acontece

na maior parte das vezes durante o crescimento e desenvolvimento dos jovens. Etiquetá-los de doentes mentais

é retrógrado, mas é sobretudo de uma crueldade incompreensível.

Aplausos do BE, do PS e do PAN.

Falamos de jovens que, após anos de sofrimento, confessam aos pais que tomam banho de olhos fechados

porque não suportam olhar para o seu corpo; falamos de jovens que não se olham ao espelho porque não

reconhecem o seu corpo; falamos de jovens que não vão à praia ou à piscina com os seus amigos porque não

ousam despir-se em frente a eles; falamos de jovens que vivem excluídos e escondidos da sociedade, sozinhos;

falamos de jovens que tantas vezes tentam o suicídio, mas também por todos aqueles que o conseguem. E

Páginas Relacionadas
Página 0011:
20 DE SETEMBRO DE 2017 11 O que está aqui em causa é o respeito por aqueles que, na
Pág.Página 11
Página 0012:
I SÉRIE — NÚMERO 2 12 As recentes intervenções em instituições financ
Pág.Página 12
Página 0013:
20 DE SETEMBRO DE 2017 13 de personalidade jurídica própria, tendo, na sua dependên
Pág.Página 13
Página 0014:
I SÉRIE — NÚMERO 2 14 A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — Em conju
Pág.Página 14
Página 0015:
20 DE SETEMBRO DE 2017 15 A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Sr. Presidente, Sr.as e S
Pág.Página 15
Página 0016:
I SÉRIE — NÚMERO 2 16 O Sr. Presidente: — Para o último pedido de esc
Pág.Página 16
Página 0017:
20 DE SETEMBRO DE 2017 17 Aquilo que defendemos é que este é um modelo que tem de c
Pág.Página 17
Página 0018:
I SÉRIE — NÚMERO 2 18 Sr.ª Deputada Cecília Meireles, relativamente à
Pág.Página 18
Página 0019:
20 DE SETEMBRO DE 2017 19 Europeu tem assento, o seu Presidente é Mario Draghi. Da
Pág.Página 19
Página 0020:
I SÉRIE — NÚMERO 2 20 O Sr. António Leitão Amaro (PSD): — Não é verda
Pág.Página 20
Página 0021:
20 DE SETEMBRO DE 2017 21 Este é um problema institucional prático, mas também há p
Pág.Página 21
Página 0022:
I SÉRIE — NÚMERO 2 22 O colapso do BPN (Banco Português de Negócios),
Pág.Página 22
Página 0023:
20 DE SETEMBRO DE 2017 23 Para o PCP, é uma evidência que o propósito do Mecanismo
Pág.Página 23
Página 0024:
I SÉRIE — NÚMERO 2 24 A segunda nota, porque nem todas as discussões
Pág.Página 24
Página 0025:
20 DE SETEMBRO DE 2017 25 diploma deu entrada aqui e não deu entrada na Comissão Ev
Pág.Página 25
Página 0026:
I SÉRIE — NÚMERO 2 26 Isto é um mau sinal. Esperamos sinceramente que
Pág.Página 26
Página 0027:
20 DE SETEMBRO DE 2017 27 A função da ESMA não poderá resultar num enfraquecimento
Pág.Página 27
Página 0028:
I SÉRIE — NÚMERO 2 28 Quanto ao Partido Socialista, pergunto ao Sr. D
Pág.Página 28