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I SÉRIE — NÚMERO 69

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Na verdade, Sr. Presidente, começámos a Legislatura a devolver rendimentos e terminaremos a Legislatura

com esta excecional medida, a de entregar novos rendimentos aos portugueses.

Mas, mais uma vez, nem todos estão do lado do bem-estar dos cidadãos que vivem em Portugal. Uma boa

ideia, uma solução estrutural, não gera o consenso político que, aparentemente, deveria ser óbvio. Quem vos

ouve, quem ouve aqueles que engendraram uma estratégia quase mirabolante de completo bota-abaixo,

questiona-se por que razão querem travar esta solução. O que os move? O que têm contra passes sociais mais

baratos, muito mais baratos, em todo o continente?

Compreendemos que o caminho escolhido pelo PSD tenha justificação na proximidade eleitoral. Há um

frenesim eleitoralista que tolda o pensamento que deveria ser de sentido de responsabilidade do maior partido

da oposição.

Mas, Srs. Deputados, não vale tudo. Depois de quatro anos, da vossa responsabilidade, de passes sociais

sempre mais caros, de perda de milhões e milhões de passageiros nos transportes públicos e de zero medidas

estruturais para o setor, não esperávamos tamanha desfaçatez.

Este sentido puramente eleitoralista do PSD só se explica porque queria ter sido ele a figurar como autor

desta excelente medida.

Aplausos do PS.

Risos do PSD.

De resto, como não está na fotografia desta solução, estrebucha para todos os lados e, permitam-me que

vos diga, seguiram o pior caminho: o caminho da terra queimada.

O que sugere, então, o PSD? Uma conta-corrente para que os impostos de cada português apenas sirvam

a si próprios, nos seus mais singelos desejos, e a mais ninguém, transformando o País numa caótica

desorientação de vontades e numa insuportável luta de portugueses contra portugueses?

Parece, na verdade, uma caricatura o que acabei de referir, mas é esse o sentido efetivo da grosseira e

atabalhoada argumentação da direita sobre uma grande medida que marcará os próximos anos.

Deixem-me ser mais específico: o que quer o contribuinte português Rui Rio? Instalar um modelo em que os

seus impostos não ajudam, por exemplo, a proteção da floresta portuguesa apenas porque há uma parte dessa

floresta que está no litoral? Ou que o seu esforço enquanto contribuinte não seja usado para estímulos à

natalidade, porque nem todos estão em condições de ter filhos, nem há privilégio territorial para este importante

desafio?

Aplausos do PS.

Mais: o que quer o contribuinte Fernando Negrão? Que os impostos que paga não possam ajudar a pagar a

pensão do Sr. Francisco, que vive em Oeiras, ou do Sr. Manuel, que vive em Faro?

A Sr.ª Joana Barata Lopes (PSD): — Que confusão!

O Sr. Carlos Pereira (PS): — Caras e Caros Deputados, julgo que, sobre a direita e os seus argumentos,

estamos conversados.

Podiam ter seguido um caminho positivo de se comprometer com o povo português em assegurar que

incluirão o reforço desta medida no seu programa do governo, por exemplo. Podiam dizer que tudo tentarão

para fazer mais e melhor pelos transportes públicos. No fundo, podiam dar garantias de que, se ganhassem

eleições, não tencionavam estragar as soluções que tanto trabalho deram a construir. Podiam assegurar, por

exemplo, que não retirariam dos portugueses utilizadores de transportes públicos estas enormes vantagens e

benefícios e que prosseguiriam o caminho da proteção climática.

Mas o País perdeu a possibilidade de convergir nas boas ideias e ganhou um debate demagógico com

sentido puramente eleitoralista às mãos do PSD.

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