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3 DE JULHO DE 2019

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Vivemos num mundo em que a inteligência artificial, a automação e a robotização, a internet das coisas, os

computadores quânticos, a tecnologia blockchain, as máquinas que aprendem por si mesmas estão já a

revolucionar a economia e o mundo do trabalho.

Vivemos um tempo em que a disrupção tecnológica está a mudar profundamente a nossa sociedade, mas,

nesta Sala, discutimos mais vezes a caça à raposa do que as questões éticas, sociais e económicas que a

inteligência artificial nos coloca.

Aplausos do CDS-PP.

Hoje, vamos debater as corridas de galgos e não vamos falar do acordo comercial entre a União Europeia e

o Mercosul.

Discutimos mais vezes a semântica do politicamente correto do que o tipo e o número de empregos que vão

ser substituídos, em Portugal, por robôs.

Vozes do CDS-PP: — Muito bem!

O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Admito que não seja só um mal português, é um vento soporífero

que atravessa toda a Europa. Mas, a mim, preocupa-me verificar que o mundo gira, cada vez mais, fora desta

Sala e que gira num eixo que, cada vez mais, não passa pela Europa.

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: No domingo das eleições europeias, já tarde, uma Sr.ª Jornalista

perguntou-me o que é que iria fazer no dia a seguir. Respondi-lhe com uma frase que, para quem é do CDS,

tem um significado especial: «Amanhã? Amanhã vou plantar macieiras».

Na quinta-feira seguinte, fui, à minha maneira, plantar macieiras. Estive em Cascais, na escola que foi minha

durante anos, a falar com jovens sobre a velocidade da mudança que vivi e vi acontecer nos últimos 15 anos.

Em 2005, quando aqui entrei, quatro anos após os ataques do 11 de Setembro, não se duvidava da

supremacia política, militar e económica dos Estados Unidos da América. Na Europa, tínhamos acabado de

celebrar o alargamento a Leste. Hoje, entre a China e o Brexit, tudo parece que foi a um século de distância.

Em 2005, não existia iPhone, não existia Instagram e o Facebook tinha acabado de nascer. O ano de 2005

foi o ano em que nasceu o Youtube, mas a Netflix ainda só enviava DVD para casa por encomenda postal. Sem

Uber, nem trotinetas elétricas, nem Whatsapp ou sequer GPS nos telemóveis, a forma como comunicávamos,

a forma como nos relacionávamos, como víamos as notícias, parece, agora, um passado muito longínquo na

história. E tudo isto se passou no tempo de vida dos nossos alunos, dos alunos que estão hoje no 8.º, no 9.º ou

no 10.º anos.

No fim, mesmo no fim da minha intervenção, um desses alunos fez-me uma pergunta: «Qual o maior erro

que se pode fazer em política?» Respondi o que vos quero aqui reafirmar hoje: em política, o maior erro é não

fazer, o segundo maior erro é desistir.

Aplausos do CDS-PP e de Deputados do PSD.

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Termino com as únicas palavras que, hoje, têm algum sentido. A

todos, a todos sem exceção, o meu muito obrigado e uma palavra especial àqueles a quem posso ter falhado.

Que seja essa a derradeira lição: aprender com os erros que cometemos.

Aplausos do CDS-PP e do PSD, de pé, e de Deputados do PS.

O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Sr. Deputado Luís Pedro Mota Soares, tem um pedido de

esclarecimento da Sr.ª Deputada Assunção Cristas, do CDS-PP.

É um bocadinho difícil dirigir um pedido de esclarecimento à pessoa que está sentada mesmo ao lado! Talvez

pudessem mudar ligeiramente de sítio, para um ficar numa fila e o outro noutra.

Risos.

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