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I SÉRIE — NÚMERO 58

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O Sr. João Cotrim de Figueiredo (IL): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, esteja descansado que não

vou fazer-lhe a mesma pergunta pela quarta vez. Não, não vou, até porque perderia demasiado tempo com isso.

Diz-se que nas crises se vê o pior e o melhor das pessoas e também das sociedades. Nesta crise sanitária,

já se viu que há, pelo menos, duas coisas particularmente más que estão a acontecer na sociedade — e não só

na portuguesa. São uma espécie de vírus que podem não só minar aquelas que são as bases do nosso

desenvolvimento futuro, mas até as bases da própria democracia liberal, que gostaríamos de manter.

O primeiro desses vírus é o medo, o medo que bloqueia a vida e as decisões das pessoas e que até se vê

na facilidade com que muitas delas trocam a liberdade pela segurança, e até pela segurança ilusória. E esse

bloqueio que as pessoas sentem pelo medo, a perpetuar-se e a manter-se, vai causar desespero, em particular

nas camadas mais desfavorecidas e nas mais dinâmicas da população: umas, porque precisam de apoios,

outras, porque precisam de horizontes, e nem umas nem outras estão a encontrá-los.

Não os estão a encontrar também porque veem demasiados casos de atrasos, de burocracias, de

incompetências e de compadrios em algumas das medidas que têm sido tomadas para se sair da crise. E veem

também duplicidade e confusão nas regras sanitárias, nos casos dos eventos de partidos e de não partidos, de

amigos e de não amigos, e, sim, também nas nomeações de paraministros — e aproveito para dizer que

chamámos ao Parlamento, com caráter de urgência, o Prof. António Costa Silva para esclarecer essa situação.

O segundo vírus é o extremismo, o extremismo que aproveita o facto de estar boa parte do mundo virada

para a COVID e tenta, por todas as vias, à esquerda e à direita, aumentar o papel do Estado em tudo o que é

economia, em tudo o que é prestação de serviços públicos, em tudo o que é intromissão na vida privada das

pessoas. Esses extremistas tentam aumentar a repressão daqueles que amam verdadeiramente a liberdade,

ameaçam com censura aqueles que discordam…

Entretanto, assumiu a presidência o Vice-Presidente José Manuel Pureza.

O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, queira fazer o favor de terminar.

O Sr. João Cotrim de Figueiredo (IL): — Vou terminar, Sr. Presidente.

Como estava a dizer, esses extremistas tentam aumentar a repressão daqueles que amam verdadeiramente

a liberdade, ameaçam com censura aqueles que discordam e exacerbam comportamentos discriminatórios,

racistas e violentos um pouco por todo o mundo e, pior do que tudo, repito, pior do que tudo, condicionam os

democratas a uma espécie de unanimismo forçado, em que todos aqueles que discordam…

O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Sr. Deputado, queira fazer o favor de terminar.

O Sr. João Cotrim de Figueiredo (IL): — Vou terminar, Sr. Presidente, com uma última frase.

A minha pergunta muito concreta, Sr. Primeiro-Ministro, é esta: o que é que o seu Governo e o senhor, em

particular, vão fazer para que Portugal não sucumba ao medo que nos está a bloquear e não sucumba ao

extremismo que pode minar as bases da democracia liberal?

O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra, para responder, o Sr. Primeiro-Ministro.

O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr. Presidente, Sr. Deputado Cotrim de Figueiredo, francamente, depois de o

País ter vivido uma situação dramática como a que vivemos ao longo destes meses, de termos mesmo tido

necessidade de decretar, renovar e renovar um estado de emergência, de vivermos em estado de calamidade,

num amplo consenso político, sem nunca ter suspendido a vida democrática, sem nunca ter restringido a

liberdade de imprensa, a liberdade de comunicação ou das redes sociais, disto ou daquilo, com uma enorme

autodisciplina por parte dos cidadãos, sem haver necessidade de pôr as Forças Armadas na rua, a não ser para

apoio humanitário, ou de recorrer às forças de segurança, a não ser para apoio pedagógico, fico um bocado

perplexo com o facto de considerar que a nossa democracia liberal está em perigo.

Sr. Deputado, por amor de Deus, se há coisa de que Portugal deu provas ao mundo foi de que foi capaz de

viver este momento numa enorme tranquilidade, em democracia liberal.

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