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25 DE JUNHO DE 2020

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também, as questões de ordem social que, já tendo contornos graves, se tornaram ainda mais problemáticas,

com dois milhões de trabalhadores a ficarem em layoff ou no desemprego.»

Os professores referem ainda o desgaste e o enorme cansaço, que decorrem de diversos fatores, «(…) que

vão da necessidade de adaptação a um modelo inédito de atividade até ao facto de ser bastante mais

complicado, estando distante, acompanhar todos os alunos e satisfazer as necessidades educativas específicas

de cada um; contribui, ainda, para este desgaste o facto de a atividade profissional ter tomado conta de todas

as horas do dia e, ao invadir a casa de cada professor, dificultar a sua indispensável e saudável separação da

vida familiar».

«O ensino não é isto, nem nada que se pareça. Por muita tecnologia que exista e se possa utilizar, nada

substitui o ensino presencial», dizem os professores, no inquérito da FENPROF.

E dizem mais: «Todos os recursos utilizados por mim foram comprados/pagos… por mim: computador,

internet e telefone. Nunca ninguém me perguntou se eu queria ou podia utilizar o meu computador e/ou

telefone… marcaram as aulas síncronas sem ouvir os professores. Em casas com computadores partilhados é

um problema».

«Onde estão os suplementos para luz, internet, chamadas telefónicas (+ de 10 horas de chamadas de

telemóvel para assuntos da escola), impressora…?»

«O trabalho docente triplicou. Os alunos procuram-nos a toda a hora e todos os dias recebo pedidos de

esclarecimentos e trabalhos enviados às 23 ou 24 horas… Deixaram de existir fins de semana e as jornadas de

trabalho chegam frequentemente às 12 e 14 horas/dia.»

«O horário de trabalho dos professores está a ser significativamente violado por entidades superiores. Não

há respeito por horários de trabalho.»

«É altamente esgotante manter e conjugar: trabalhos de direção de turma, apoio constante aos encarregados

de educação, docente de várias turmas com níveis diferentes, centenas de contactos diários dos 110 alunos,

realização de videoconferências… E ser encarregado de educação a apoiar dois filhos em níveis diferentes de

escolarização!! Não sei se aguentarei até 26 de junho!»

A verdade, Sr.as e Srs. Deputados, é que não se pode tornar o excecional em regra. É forçoso garantir todas

as condições de segurança e trabalhar para o regresso à normalidade possível. Para isso, a redução do número

de alunos por turma é um elemento importante e, por isso, o PCP acompanha a proposta hoje em discussão.

As turmas já antes deveriam ser mais pequenas, conforme o PCP tantas vezes propôs, e a situação que vivemos

atualmente veio evidenciar como isso seria fundamental.

No entanto, não podemos deixar de referir que esta proposta teria de ser substancialmente alterada para que

pudesse ser minimamente exequível, sobretudo num curto espaço de tempo, que é o que temos até ao retomar

das aulas. Há consequências que têm de ser devidamente preparadas e pensadas. Por exemplo, se não houver

espaço nas escolas para fazer esta diminuição, exatamente nos números que foram propostos, para onde irão

os alunos? Na nossa ótica, não poderiam ir para o privado, portanto, o que é que aconteceria? Ficariam em

casa? De que forma seria isto organizado?

Como se faria nos casos dos grupos docentes em que faltam professores e em que não tem havido

colocação, por não estarem no sistema nesta altura?

São questões que importa ter em atenção.

O PCP considera que, numa situação como a que atravessamos, mais do que uma solução a régua e

esquadro, seria fundamental existir a definição a breve trecho de normas sanitárias que, assegurando o

escrupuloso cuidado pela saúde, higiene e segurança de alunos e trabalhadores, permitissem que as escolas,

tendo em conta a sua autonomia, melhor pudessem proceder à redução e adaptações necessárias, tendo em

conta as características de cada estabelecimento, de cada sala, de cada equipamento.

O PCP coloca-se do lado da exigência da comunidade educativa para que sejam tomadas as medidas

adequadas e em tempo útil por parte do Governo, que, aliás, demorou demasiado tempo a incluir os vários

parceiros educativos e, nomeadamente, os sindicatos na conversa sobre a preparação do próximo ano letivo.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente (António Filipe): — Sr.ª Deputada Ana Mesquita, a Mesa regista a inscrição de um Sr.

Deputado para pedir esclarecimentos.

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