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I SÉRIE — NÚMERO 47

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A Sr.ª Ana Catarina Mendonça Mendes (PS): — Muito bem!

O Sr. Alexandre Quintanilha (PS): — Quando os desafios são complexos e requerem respostas de vários

domínios em simultâneo, o trabalho torna-se gigantesco. Este é, claramente, o caso dos desafios que

enfrentamos: exigem diálogo e compromissos que não são fáceis de conseguir e também levam tempo nas

democracias que queremos consolidar. Esse tempo é frequentemente sonegado aos decisores, não só políticos.

O me first ou o «eu primeiro», de má memória recente, do outro lado do Atlântico, e tão visível e recorrente

à nossa volta, não só não ajuda como enfraquece e destrói esse trabalho essencial de construção de consensos.

Aplausos do PS.

O conhecimento tem como origem a dúvida e como objetivo o esclarecimento. Das respostas que se

acumulam, surgem invariavelmente mais perguntas e dúvidas. Se tivermos sorte, a incerteza vai sendo

ultrapassada. A COVID-19 é um excelente exemplo desse processo. Não deveria surpreender ninguém que

certas decisões tenham de ser revistas regularmente. É sempre um trabalho inacabado!

É também em momentos de crise que percebemos que o maior inimigo da democracia e do conhecimento

não é a incerteza, é a mentira.

Aplausos do PS.

Porque a mentira é sempre assertiva e categórica, nunca tem dúvidas; porque se baseia na ignorância, é

fácil, é simplista e explora a fragilidade do outro;…

A Sr.ª Hortense Martins (PS): — Muito bem!

O Sr. Alexandre Quintanilha (PS): —… porque, normalmente, esconde poderosos interesses económicos,

políticos e ideológicos e, por isso mesmo, é amplamente financiada mesmo a nível internacional.

Aplausos do PS.

Isto porque as certezas são mais fáceis de ser transmitidas nas redes sociais e nos média ocupam menos

espaço e exigem menos explicação.

O que 94% dos americanos veem, ouvem ou leem está nas mãos de seis grandes empresas com uma visão

muito particular daquilo a que chamamos de «jornalismo de investigação». Os jornalistas que questionam os

negacionistas são ameaçados, inclusive de morte, até em Portugal, porque repetir, muitas vezes, a mesma

mentira, funciona e porque a insegurança e o medo são fáceis de vender. Talvez o mais grave de todos estes

aspetos é o de que a mentira promove a autocracia.

Aplausos do PS.

Temos vários exemplos desse medo, que são as chamadas «teorias da conspiração». Estas são várias e

dizem-nos que as vacinas são perigosas, esquecendo a magnífica história de Jonas Salk e da erradicação da

pólio e de tantas outras doenças, ou o facto de que, em menos de um ano, temos várias vacinas contra a COVID-

19, mas, ironicamente, ainda nenhuma contra o HIV (Human Immunodeficiency Virus).

Aplausos do PS.

Dizem-nos que as alterações climáticas são inventadas, esquecendo que há 60 anos que as previsões se

concretizam; dizem-nos que os transgénicos e, agora, os produtos da agricultura celular são «alimentos-

frankenstein»;…

O Sr. André Silva (PAN): — Que tristeza!