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26 DE FEVEREIRO DE 2021

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membro d’O Tempo e o Modo (anos 60) e da Seara Nova (anos 70). Militante do Movimento de Esquerda

Socialista (MES), nunca se afastou de uma cultura de participação cívica no âmbito da sua vasta e plurifacetada

vida académica, literária.

No plano académico, licenciou-se em Direito, em 1969, obteve diploma aprofundado em Análise Comparada

de Sistemas Políticos pela Université de Paris I — Panthéon-Sorbonne, em 1979, e doutorou-se em Sociologia

Política, em 2000, pela Universidade de Lisboa, onde faria também a sua agregação. Era professor catedrático

e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Autor de uma biografia marcante sobre o Cardeal Cerejeira, e um respeitado especialista em assuntos de

história militar, bem como sobre a relação e separação entre o Estado e a Igreja, ao longo da sua carreira

universitária foi ainda professor no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, no Instituto Superior

de Ciências do Trabalho e da Empresa, na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade Católica Portuguesa.

Numa vida profissional e de serviço público igualmente preenchida, exerceu as funções de Secretário de

Estado da Economia no Governo de Transição de Moçambique (1974-1975), foi diretor do Jornal do Comércio

(1975-1976), presidente do Instituto Português de Cinema (1983-1990) e da Administração do Teatro São Carlos

(1990-1992). Integrou a Administração do Porto de Lisboa (1992-1993) e foi consultor do Presidente da

República Jorge Sampaio (2001-2006).

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, manifesta o seu pesar pelo falecimento de

Luís Salgado Matos, saudando em especial a sua ação antifascista, serviço público e obra académica, e

transmitindo as suas sentidas condolências aos familiares e amigos.»

O Sr. Presidente (António Filipe): — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que

acaba de ser lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade, registando-se a ausência do CH e da Deputada não

inscrita Joacine Katar Moreira.

Vamos passar agora ao Projeto de Voto n.º 474/XIV/2.ª (apresentado pelo PS) — De pesar pelo falecimento

de José Atalaya.

Peço ao Sr. Deputado Duarte Pacheco o favor de ler este projeto de voto.

O Sr. Secretário (Duarte Pacheco): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, o projeto de voto é do seguinte

teor:

«Faleceu no passado dia 19 de fevereiro o maestro e compositor José Atalaya.

Nascido em Lisboa em 1927, José Atalaya dedicaria a sua vida à composição e à divulgação musical, de

forma marcante, na rádio, na televisão e em inúmeros palcos nacionais.

Influenciado por Joly Braga Santos, seria discípulo de Luís de Freitas Branco, com quem sedimentaria a sua

formação musical entre 1947 e 1955. Em 1955, a sua primeira obra, colhendo inspiração em As Mãos e os

Frutos de Eugénio de Andrade, seria mesmo executada pela Orquestra Sinfónica Nacional, sob o maestro Pedro

de Freitas Branco, irmão do seu mestre.

A sua formação seria enriquecida como bolseiro da Fundação Gulbenkian, tendo tido a oportunidade de

estudar com várias referências da música europeia do seu tempo: Hans Swarowsky, Igor Markevitch ou Piero

Bellugi, seu tutor na formação de chefe de orquestra. Mais tarde, colaboraria também com Pietro Grossi, com

quem apreende o potencial do uso do computador na composição e na música eletrónica.

Após a morte de Luís de Freitas Branco, José Atalaya afasta-se momentaneamente da composição,

prosseguindo um percurso de investigação musicológica e de regência de orquestras, regressando à

composição mais de uma década depois, inspirado pelo trabalho pioneiro de Pierre Boulez.

Em 1951, ingressara como assistente musical na Emissora Nacional, aí iniciando uma carreira de divulgação

que passou também pela RTP, através de programas como Quinzenário Musical e Semanário Musical.

A sua intervenção no panorama musical nacional assinala-se ainda através do seu papel fundador da

Juventude Musical Portuguesa, em 1948, como primeiro diretor do Grupo Experimental de Ópera de Câmara e,

a partir de 1975, como coordenador artístico de três orquestras da Rádio Difusão Portuguesa.

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