O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

29 DE MAIO DE 2021

9

sustentável em Portugal, nem tão-pouco se preocupa com o facto de o nosso País ser publicitado noutros países

como incentivando ao autocaravanismo em parques naturais, publicidade em que Portugal é gozado, face à sua

desorganização nesta matéria, e, aliás, até explicam como é fácil contornar a lei no que ao ambiente diz respeito.

Procurando imprimir algum controlo sobre esta realidade, surge, então, esta regra no Código da Estrada

referente aos autocaravanistas.

Gostaria de dizer que o PAN respeita, profundamente, todos os autocaravanistas que, em claro respeito com

a natureza, deixam o local igual ou melhor do que o encontraram, e respeita todos aqueles que, a partir da

observação da natureza, aprendem e ensinam a respeitá-la.

Mas, infelizmente, não podemos dizer que todos são assim. Esta decisão do Governo é uma espécie de

providência cautelar, onde pagam todos por aqueles que fazem mal, que destroem e que impactam.

O tempo desde que esta proibição vigora já deveria ter servido para o Governo regulamentar de forma

equilibrada esta atividade, garantindo a fruição do contacto com a natureza e a necessidade de a proteger dos

impactos ambientais de comportamentos irresponsáveis.

Temos de encontrar uma forma de conciliar estes interesses, e o PAN está disponível para um caminho bem

regulamentado, que leve à alteração deste artigo que aqui se reivindica. Mas, sem fazer este caminho, revogá-

lo desde já é, do ponto de vista ambiental, errado e denota uma despreocupação com o que se tem passado na

nossa orla costeira, em complexos dunares ou até em parques naturais.

Para quem quer acampar e ter contacto com a natureza, não existem ainda estruturas suficientes em

quantidade e em qualidade. Este deve ser o caminho de um investimento estratégico num turismo responsável

em Portugal. Falta fazer esse caminho político, e o PAN, evidentemente, está disponível para o fazer, mas não

é essa a via que os projetos do BE, do PCP e do PEV nos trazem.

O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Tem de terminar, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Bebiana Cunha (PAN): — Saudamos as alterações que o PSD imprimiu ao seu projeto e esperamos que, em sede de especialidade, possa ser possível trabalhar no sentido que todos desejamos alcançar.

O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Tem a palavra, para uma intervenção, a Sr.ª Deputada Jamila Madeira, do PS.

A Sr.ª Jamila Madeira (PS): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Começo por cumprimentar os peticionários. O debate de hoje é sobre a proibição da pernoita de autocaravanas fora dos sítios autorizados. Esta proibição

de pernoita, fora dos locais autorizados, existe em Portugal, na Bélgica, na Bulgária, na Croácia, na Dinamarca,

na Escócia, na Eslováquia, na Estónia, na Finlândia, na França, na Grécia, na Hungria, na Islândia, na Lituânia,

na Polónia, no Reino Unido, na Roménia e até em Espanha, onde, junto às praias e zonas de lazer, existem

proibições regionais — aproveito para referi-lo uma vez que a proibição em Espanha foi citada como não sendo

uma realidade.

No início de 2021, Portugal alinhou, por isso mesmo, a sua legislação com as melhores práticas europeias.

Nos últimos anos, o turismo em autocaravana cresceu exponencialmente, afirmando-se como um importante

segmento do turismo nacional e internacional. Existem mais de 2 milhões de autocaravanas, número que

mantém um crescimento anual de cerca de 10% ao ano na última década. Portugal é, de facto, um destino

apetecível para estes turistas, o que é algo que queremos sublinhar e louvar. Estimam-se já cerca de 2 milhões

de dormidas, dentro do contexto que é possível estimar, sendo que 80% são de estrangeiros. Também existem

cidadãos nacionais, isso é verdade, que recorrem a esta prática para fins turísticos.

Importa sublinhar que, apesar da pandemia, a indústria e o mercado europeu de veículos de lazer

estabilizaram em 2020. Ou melhor, desde o início de 2020, a indústria sinalizou um total de mais de 150 000

registos de autocaravanas, num ano que se previa de quebra. No total, deu-se um incremento de 61,4%,

segundo números de julho, em comparação com 2019. Ainda não temos os números de todo o ano de 2020,

mas todos os mercados subiram, pelo menos, 20%.

O Sr. Bruno Dias (PCP): — No ano passado?

Páginas Relacionadas
Página 0021:
29 DE MAIO DE 2021 21 O Sr. João Dias (PCP): — Sr.ª Deputada, o Estado tem de ter a
Pág.Página 21
Página 0022:
I SÉRIE — NÚMERO 72 22 avaliação de impacte ambiental (Sexta alteração ao De
Pág.Página 22
Página 0023:
29 DE MAIO DE 2021 23 projetos em áreas sensíveis sem avaliação de impacte ambienta
Pág.Página 23
Página 0024:
I SÉRIE — NÚMERO 72 24 Queremos proibir as colheitas noturnas mecanizadas qu
Pág.Página 24
Página 0025:
29 DE MAIO DE 2021 25 Esta proposta, caso aprovada, e não há nenhum motivo para que
Pág.Página 25
Página 0026:
I SÉRIE — NÚMERO 72 26 O Sr. Presidente (Fernando Negrão): — Tem, ago
Pág.Página 26
Página 0027:
29 DE MAIO DE 2021 27 de prevaricação, em que, sistematicamente, a lei não foi apli
Pág.Página 27
Página 0028:
I SÉRIE — NÚMERO 72 28 devem estar sujeitas a avaliação de impacte ambiental
Pág.Página 28
Página 0029:
29 DE MAIO DE 2021 29 O projeto de lei do PAN diz logo ao que vem, e cito: «(…) a a
Pág.Página 29
Página 0030:
I SÉRIE — NÚMERO 72 30 O modo de produção agrícola superintensivo assenta na
Pág.Página 30
Página 0031:
29 DE MAIO DE 2021 31 normativo das práticas, para assegurar a sustentabilidade dos
Pág.Página 31
Página 0032:
I SÉRIE — NÚMERO 72 32 Aquilo que pretendemos, nestes casos, é que haja apen
Pág.Página 32