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I SÉRIE — NÚMERO 38

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relativamente ao acolhimento dos refugiados. Apesar de nem todos dizerem o que disse o Sr. Deputado André

Ventura, com o maior dos desplantes, há outros que o pensam sem o dizer e com o mesmo desplante. Mas,

de facto, do ponto de vista de Portugal, aquilo que justifica a proteção internacional é a dignidade da pessoa

humana, a qual é indiferente na origem, seja ela ucraniana, marroquina, síria ou líbia, seja de onde for.

Aplausos do PS.

O que temos feito para integrar? Em primeiro lugar, somos, naturalmente, um destino privilegiado, porque

temos em Portugal uma importante comunidade ucraniana, já enraizada há mais de duas décadas, e, como

todos sabemos, um dos primeiros critérios de escolha de quem procura auxílio é, precisamente, o de procurar

onde tem família, amigos ou conhecidos.

Portanto, desde a primeira hora, percebemos que íamos ser um destino de acolhimento e, por isso,

alterámos o procedimento para que fosse ágil a atribuição do estatuto de refugiado internacional e criámos

uma plataforma para a integração da oferta de emprego, que tem já mais de 23 500 ofertas de emprego para

diferentes perfis profissionais. Neste momento, temos a trabalhar nas nossas embaixadas em Varsóvia e na

Roménia equipas avançadas do Instituto do Emprego e Formação Profissional, para ajudar na identificação de

pessoas que queiram trabalhar, e, como disse há pouco, já estão matriculadas mais de 600 crianças nas

escolas portuguesas.

Porém, é preciso termos todos a compreensão do seguinte: as pessoas que estão a chegar a Portugal

estão ainda altamente traumatizadas, passaram por violências horríveis e, naturalmente, não sabem se vão

ficar a viver em Portugal nos próximos anos ou se vão conseguir regressar à sua pátria nos próximos meses.

O desejo natural de todos é o de que, brevemente, haja paz na sua terra e de que possam regressar para

junto das suas famílias.

Portanto, não vale a pena termos um excesso de expectativas quanto àquela que irá ser a integração das

pessoas na sociedade, sendo que essas pessoas estão cá não por escolha voluntária, mas porque estão a

fugir de uma guerra que a Rússia desencadeou contra a Ucrânia.

O primeiro gesto de solidariedade e de respeito que temos de ter é o de compreender a fragilidade humana

destas pessoas, dando-lhes calma e tempo. Devo dizer que a minha surpresa está em já haver 600 crianças

na escola! Se cada um de nós tivesse de fugir hoje para um outro sítio qualquer, se calhar, precisaríamos de

tempo para pensar no que iria ser a nossa vida antes de tomarmos decisões definitivas sobre o futuro.

Mas a comunidade ucraniana já demonstrou, ao longo das últimas duas décadas, pelo menos, uma

excelente e notável capacidade de integração na sociedade portuguesa, bem como a sociedade portuguesa

em integrar e acolher.

Quanto à questão da paz, é evidente que as conversações bilaterais têm as suas limitações e que todos os

formatos — Nações Unidas, Normandia, União Europeia — que possam ser explorados para obter o cessar-

fogo, o diálogo e o restabelecimento da paz e das regras do direito internacional devem ser explorados, sendo

que nenhum vem a mais. Contudo, Sr.as Deputadas Paula Santos e Mariana Silva, desculpem-me a franqueza,

mas não sejamos ingénuos: não estamos num conflito entre duas partes, não estamos entre duas forças

agressoras. Estamos perante um país que estava em paz e que, em violação do direito internacional, foi

agredido, invadido e está a ser vítima de uma guerra criminosa.

Aplausos do PS.

Sim, queremos defender a paz, mas ela não se defende só com manifestações a dizer: «Não à guerra!». A

paz defende-se, também, com a dissuasão e é por isso que temos de cumprir — e cumprimos! — com o nosso

dever de contribuir para a ação dissuasora da aliança defensiva em que estamos integrados, a NATO,

garantindo que, além da agressão à Ucrânia, não haverá nenhuma agressão a nenhum país da NATO e que,

com esta força dissuasora da NATO na sua frente Leste, também reforçamos indiretamente a segurança da

própria Ucrânia.

Não vamos participar na guerra, mas vamos participar na defesa contra a guerra. Aí, desculpar-me-ão, não

podemos dizer que somos fiéis de uma balança onde há dois pesos iguais.

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