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I SÉRIE — NÚMERO 7

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regiões mais longínquas da Rússia. Os russos fizeram campos especiais para que essas pessoas fossem

divididas. Algumas são mortas, as raparigas são violadas! Imaginem uma rapariga que estava a tentar salvar-

se de um campo de concentração na Rússia e que, só porque não foi simpática com os soldados russos, foi

violada. Se tivesse sido simpática, provavelmente não teria sido violada e morta!

Em 57 dias de guerra, libertámos mais ou menos 1000 locais da Ucrânia que tinham sido ocupados pelos

russos. Contudo, as tropas russas continuam a tentar ocupar e a bombardear as nossas cidades. Destroem

habitações, infraestruturas civis e todas as infraestruturas que as cidades têm para conseguirem sobreviver,

nomeadamente a indústria alimentar, escolas, universidades — até as igrejas estão a ser destruídas.

Os ucranianos foram obrigados a abandonar essas cidades. Imaginem toda a população de Portugal a ter

de abandonar o País! Os nossos cidadãos não são refugiados, eles foram obrigados a sair das cidades

temporariamente, e esperamos — temos mesmo essa expectativa! — que consigam voltar brevemente, em

segurança, à nossa Ucrânia. Esperamos que isso suceda em breve, contudo, não podemos garantir quando é

que isso acontecerá.

Os senhores sabem o que se passa, neste momento, na cidade de Mariupol, uma cidade que é tão grande

como Lisboa, que fica perto do mar e que está totalmente destruída. Em Mariupol não existe uma única

habitação que esteja inteira. A cidade foi completamente incendiada.

Durante mais de um mês, os russos cercaram esta cidade e fizeram dela um inferno. Muitas pessoas

ficaram lá sem água, sem condições de habitação, sem alimentação e a serem constantemente

bombardeadas pelas tropas russas, que utilizaram, de propósito, meios aéreos. Eles sabiam que estavam lá

civis e que não havia lá nenhuma força militar.

Muitas pessoas ficaram sem casa e até sem fotografias, porque foi tudo incendiado. Durante os

bombardeamentos russos a essa cidade da Ucrânia, pensamos que foram mortas mais de 10 000 pessoas.

Porém, não temos a certeza do número, porque os russos fizeram crematórios móveis de modo a destruírem

os corpos para que nunca mais pudéssemos ter provas do que eles estão a fazer.

Vocês lembram-se de Butcha? Agora eles estão a tentar esconder os seus crimes de guerra para que não

tenhamos provas do que fizeram.

Minhas Senhoras e Meus Senhores, Povo Português: Quando solicitamos apoio ao mundo, pedimos coisas

simples, ou seja, pedimos armamento para podermos defender-nos de forma forte e para libertar as nossas

cidades da ocupação russa. Para que possam comparar, este mal que está a ser feito à Ucrânia é igual ao que

foi feito pela II Guerra Mundial.

Nós pedimos armamento pesado, como tanques ou armamento antinavio, e tudo o que nos possam dar

para ajudar. Apelo ao vosso País para que nos ajude com a aceleração e o reforço das sanções à Rússia e

também com apoio militar, com armamento.

Nós precisamos que a vossa posição seja no sentido de que as empresas europeias que ainda trabalham

na Rússia saiam de lá e não a apoiem.

Porque é que a Rússia começou esta guerra? Porque é que ocupou a Ucrânia? Este é apenas o primeiro

passo para conseguir controlar o leste da Europa, para destruir a democracia na Ucrânia. Mas a Ucrânia teve

um forte reforço à democracia em 2004 e 2014, anos em que tivemos duas revoluções que conseguiram parar

o alastramento da ditadura na Ucrânia.

Por isso, esperamos conseguir parar esta ditadura não só na Ucrânia, mas também em todos os povos da

nossa região que querem escolher o seu futuro sem serem oprimidos, sem serem forçados.

O vosso povo, que daqui a nada vai celebrar o aniversário da Revolução dos Cravos, que também o

libertou da ditadura, sabe perfeitamente o que estamos a sentir. Vocês, certamente, sabem o que outros povos

estão a sentir, principalmente os povos da nossa região, que desejam ter liberdade. Vocês sabem o que traz a

morte e a ditadura para a Ucrânia, e, depois da Ucrânia, a Rússia vai tentar fazer isto na Moldávia, na Geórgia,

nos países bálticos e noutros países.

Contudo, é possível parar a Rússia. Nós podemos parar a ditadura russa agora na Ucrânia.

Agradeço ao vosso Governo e a todos os portugueses por todo o apoio que nos têm dado, pelo apoio

através das sanções contra a Rússia, algo que é muito importante, quando a União Europeia está a preparar o

sexto pacote de sanções. Espero que defendam também o embargo europeu em relação à importação de

petróleo da Rússia e que se juntem a outros países da União Europeia para que o sistema bancário russo seja