22 DE ABRIL DE 2022
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Este acolhimento mobiliza todos os portugueses: o Governo, a administração central, as regiões
autónomas, os municípios, as organizações não-governamentais, as várias confissões religiosas, as escolas,
as empresas, os sindicatos e, sobretudo, as pessoas comuns. As portuguesas e os portugueses estão
empenhados nesta vasta cadeia de solidariedade e o tratamento que dedicam aos ucranianos em
necessidade de auxílio é aquele caraterístico da nossa maneira de ser: tratam-nos como iguais, como irmãos
da mesma humanidade.
Um pouco por todo o País, milhares e milhares de voluntários têm vindo a providenciar transporte,
alojamento, emprego e integração, em estreita colaboração com a Embaixada da Ucrânia em Portugal, com as
associações representativas da comunidade ucraniana e com os seus compatriotas já aqui estabelecidos. A
Sr.ª Embaixadora e vários representantes da comunidade dão-nos, aliás, o gosto de assistir a esta Sessão e a
todos desejo saudar.
Sr. Presidente da República da Ucrânia, ouvimos com toda a atenção e de espírito aberto as suas palavras
e, em particular, os seus apelos. No ordenamento constitucional português, é ao Governo que compete
conduzir a política externa, e basta notar o nível de representação do Governo nesta Sessão, liderada pelo
Primeiro-Ministro, para se compreender que as propostas e os pedidos de V. Ex.ª, Sr. Presidente da Ucrânia,
serão bem examinados. Na sua função de fiscalização, as Sr.as e os Srs. Deputados acompanharão também,
de perto, as decisões do Governo.
Mas posso, desde já, assegurar-lhe, Presidente Zelenskyy, que conta com Portugal: conta com a nossa
defesa intransigente das leis que regulam as relações internacionais e do direito à independência e soberania
nacional; conta com o nosso empenhamento, designadamente no quadro da União Europeia e da NATO, na
defesa da liberdade em todos os territórios da Europa, no sancionamento cada vez mais intenso do agressor e
no apoio necessário ao agredido, na guerra da Rússia contra a Ucrânia; conta com a solidariedade e a ação
efetivas do povo e das autoridades portuguesas, nomeadamente no campo humanitário e no acolhimento e
integração das famílias de migrantes e refugiados; e conta com todo o nosso apoio aos seus esforços, Sr.
Presidente Zelenskyy, para encontrar os caminhos de uma paz baseada na recusa da agressão e na solução
política negociada para os diferendos.
Como V. Ex.ª, Presidente Zelenskyy, bem sabe, Portugal é, a justo título, considerado como um dos países
mais pacíficos do mundo. É o nosso modo humanista de conceber as relações entre os povos e as nações.
Apreciamos as viagens, o comércio, a comunicação, a cooperação e as descobertas que vamos fazendo das
culturas uns dos outros.
Temos muito orgulho em dispor, desde 2019, numa praça de Lisboa, do busto do vosso poeta nacional
Taras Shevchenko. Recordamos com emoção o encontro, nos anos da Grande Guerra, no norte de Portugal,
entre Sonia Delaunay — nascida Sarah Stern, em Gradizhsk, na Ucrânia —, então em fuga da guerra, e o
nosso pintor Amadeo de Souza-Cardoso, o encontro de duas figuras maiores da revolução modernista na arte
europeia.
Mas não somos ingénuos. Para voltarmos à paz que permite e estimula o desenvolvimento dos laços
culturais, precisamos de ganhar a paz. Para ganhar a paz, precisamos de fazer frente à agressão e de forçar o
agressor a parar a agressão, envolvendo-se num processo negocial sério, conducente à paz. Nesse ponto
estamos.
Por isso, em nome do Parlamento português e na presença concordante do Presidente da República e do
Primeiro-Ministro de Portugal, me permito dirigir-me a V. Ex.ª, Sr. Presidente da Ucrânia, para lhe dizer que a
luta do seu país pela liberdade é a luta da Europa toda pela liberdade.
A essa luta pela liberdade, o Portugal democrático nunca faltou, não falta e não faltará.
Aplausos, de pé, do PS, do PSD, do CH, do IL, do BE, do PAN, do L, dos membros presentes na Mesa e
dos convidados.
Vão ser entoados, agora, os hinos nacionais da Ucrânia e de Portugal.
Neste momento, a Banda da Guarda Nacional Republicana, formada nos Passos Perdidos, executou o hino
nacional da República da Ucrânia.