23 DE ABRIL DE 2022
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O Sr. Jorge Paulo Oliveira (PSD): — Calma, calma!
O Sr. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais: — … porque a única resposta que tem nesta matéria é
baixar impostos sobre os combustíveis porque não está minimamente a importar-se com aquilo que são as
alterações climáticas.
Aplausos do PS.
Protestos do CH.
Por isso é que a nossa proposta, como o Sr. Deputado bem repara, é um analgésico, porque é para uma
situação muito localizada. A única coisa que a direita quer é não se preocupar minimamente com o futuro e com
as alterações climáticas.
Protestos do CH e contraprotestos do PS.
Mas não, Sr. Deputado, as alterações climáticas e o desafio do equilíbrio climático não acabaram e nós aqui
estamos, nesta Legislatura, porque esse é mesmo um dos desafios estratégicos e é o desafio que vale a pena
enfrentar.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Depois destas interpretações bastante livres do conceito de concisão, passamos, então,
a dar a palavra ao Sr. Deputado João Dias, para apresentar os projetos de lei e o projeto de resolução do PCP.
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo: O PCP traz à votação
10 iniciativas para responder ao significativo aumento do custo de vida que atinge o povo português. Dez projetos
de lei que visam responder aos problemas e trazer soluções concretas, seja através do alívio fiscal, seja da
regulação dos preços, defendendo as populações e as micro, pequenas e médias empresas, ao invés de manter
a porta aberta à especulação, financiando, assim, os lucros dos grupos económicos.
Em relação aos combustíveis, propomos que seja criado um novo preço de referência, baseado nos custos
reais da compra e refinação do barril de petróleo, a possibilidade de fixação de margens máximas, definindo
uma margem não especulativa, e uma contribuição extraordinária sobre os lucros das petrolíferas que resultam
da apropriação das margens especulativas.
No âmbito da fiscalidade, Srs. Deputados, defendemos o fim do chamado «adicional ao ISP», defendemos o
fim da dupla tributação dos combustíveis, acabando com a situação em que o ISP paga IVA, defendemos a
redução da incorporação obrigatória de biocombustíveis para os 5%, de uma vez, em vez dos atuais 11%, o que
terá impacto direto na redução do preço pago pelos consumidores.
Em relação à energia, Srs. Deputados, o PCP propõe a reposição do IVA a 6% para a energia elétrica, o gás
natural, o gás butano ou propano engarrafado e canalizado, assim como a extensão das tarifas reguladas,
permitindo a celebração de novos contratos ao abrigo deste regime.
Também na área agroalimentar, apresentamos propostas indispensáveis para fazer face ao aumento dos
preços e assegurar a soberania alimentar de Portugal. É preciso aumentar a capacidade produtiva por forma a
assegurar o fornecimento dos bens alimentares, reduzindo a dependência externa, a evitar a escassez de
alimentos e travar o aumento especulativo dos preços.
Estas respostas, Srs. Deputados, são tanto mais necessárias, quanto as medidas que o Governo nos traz
ficam muito aquém do necessário para responder às dificuldades por que passam os trabalhadores, o povo e a
esmagadora maioria dos nossos setores produtivos.
O PCP assume que é necessário avançar com medidas de controlo de fixação de preços máximos e de
defesa da produção nacional, não apenas como resposta imediata ao problema do aumento dos preços, mas
também com o objetivo de romper com a dependência externa do País e defender a soberania nacional, uma
situação que, previsivelmente, poderá tornar-se ainda mais grave, Srs. Deputados, uma vez que a proposta do