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9 DE JULHO DE 2022

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Pausa.

Temos quórum. Pergunto se algum dos Deputados não conseguiu registar-se.

Toda a gente conseguiu registar-se, pelo que vamos, então, iniciar as deliberações.

Em primeiro lugar, temos o Projeto de Voto n.º 111/XV/1.ª (apresentado pelo PS) — De pesar pelo

falecimento de João Ferreira de Almeida. Para proceder à sua leitura, dou a palavra à Sr.ª Secretária Maria da

Luz Rosinha.

A Sr.ª Secretária (Maria da Luz Rosinha): — Sr. Presidente, o projeto de voto é do seguinte teor:

«Faleceu no dia 16 de junho de 2022, aos 81 anos, João de Freitas Ferreira de Almeida, uma das referências

fundamentais da emergência e consolidação da sociologia contemporânea em Portugal. Natural do Porto,

mudou-se para Lisboa aos 8 anos e é nesta cidade que fará o seu percurso de vida.

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa em 1964, numa altura em que a sociologia era proibida

no nosso país, integrou em 1970, a convite de Adérito de Sedas Nunes, o GIS – Gabinete de Investigações

Sociais, projeto pioneiro e verdadeiro embrião das primeiras pesquisas e instituições ligadas à sociologia. É

neste contexto que em 1972 integra, no momento da sua fundação, o ISCTE, então Instituto Superior de Ciências

do Trabalho e da Empresa, em que a designação ‘ciências do trabalho’ foi nomenclatura possível para a

lecionação de temáticas próximas da sociologia. Será, também, investigador do Instituto de Ciências Sociais da

Universidade de Lisboa, em larga medida resultado da institucionalização do GIS.

Ferreira de Almeida esteve diretamente ligado, no ISCTE, à criação da primeira licenciatura em sociologia

em Portugal após o 25 de Abril, logo em 1974, e terá um papel liderante e decisivo no desenvolvimento,

consolidação e afirmação desta ciência social, na qual se viria a doutorar em 1984. Sócio n.º 1 e primeiro

presidente da Associação Portuguesa de Sociologia, cuja fundação liderou em 1985, Presidente do Conselho

Científico do ISCTE e, mais tarde, marcante Presidente desta instituição durante mais de uma década, entre

1992 e 2005, o papel e o legado de João Ferreira de Almeida afirmam-se e perduram também enquanto docente

e investigador.

É recordado por várias gerações de estudantes não apenas pela postura educada e cordata com que sempre

pautou as relações pedagógicas e humanas, mas acima de tudo como um professor inspirador, desde logo pela

rara capacidade de tornar acessível e inteligível a erudição do seu pensamento e raciocínio. Na docência e

investigação, fez do cruzamento de paradigmas, perspetivas teóricas e contributos disciplinares um cunho

distintivo, aliás, uma marca de contemporaneidade da sua visão da sociologia. Teve contributos notáveis, muitas

vezes fundadores ou inovadores entre nós, em vários temas de importância estruturante tanto para a sociologia

como para a sociedade portuguesa, com destaque para as classes sociais e desigualdades, pobreza e exclusão

social, as diferentes condições da juventude, nomeadamente a dos estudantes do ensino superior, as mudanças

no mundo rural e, mais tarde, a temática do ambiente e os valores e a mudança na sociedade portuguesa.

O percurso singular de João Ferreira de Almeida é insubstituível na afirmação da sociologia como disciplina

consolidada em Portugal e perdurará como uma referência não apenas da sociologia, mas das ciências sociais

e da academia em Portugal. A memória de todos os que contactaram com esta figura ímpar ou que foram por

ele influenciados e formados, e felizmente também a sua obra e o seu imenso legado, assim o determinam.

Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, expressa o seu profundo pesar pelo

falecimento do sociólogo João Ferreira de Almeida, recordando e reconhecendo o seu contributo ímpar e

endereçando à família e amigos as mais sentidas condolências.»

O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser

lido.

Submetida à votação, foi aprovada por unanimidade.

Saúdo a presença, nas galerias, de familiares de João Ferreira de Almeida, chefias, elementos e

representantes do ISCTE, a quem endereço, em nome da Assembleia da República, as mais sentidas

condolências.

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