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I SÉRIE — NÚMERO 55

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Para uma intervenção, em nome do Grupo Parlamentar do PSD, tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Rios

de Oliveira, e peço a todos silêncio para que o Sr. Deputado se possa fazer ouvir.

O Sr. Paulo Rios de Oliveira (PSD): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro e restantes Membros do

Governo, Sr.as e Srs. Deputados: Já percebemos que este Orçamento tem aprovação garantida pela maioria e

o Governo não mostra grande vontade de ouvir ou rebater as críticas da oposição. Registámos a atitude e

viveremos com isso. Mas bem sabemos que este Governo é excelente a esconder a desgraça e vaidoso a

vender a mediocridade.

O que chamam os portugueses a um Governo que rouba 1000 milhões de euros ao futuro dos nossos

pensionistas e aposentados, com o pretexto de os ajudar? O povo chama-lhe «habilidoso». Será um elogio?

Será esta «habilidade» uma virtude?

Sr. Primeiro-Ministro, quando falamos de habilidade socialista, os exemplos abundam, mas nenhum se

compara à TAP. A TAP é o exemplo máximo do socialismo em todo o seu esplendor e em todo o seu horror.

Esta autêntica série socialista, que leva sete temporadas, conta-se em poucas palavras.

Era uma vez uma companhia aérea que só dava prejuízo, um ano atrás do outro. Esta companhia tinha de

ser vendida e privatizada para estancar a sangria de dinheiros públicos. Mas quem cumpriu, quem teve de

privatizar e acabar com o buraco? O PSD, pois então! Depois, em 2016, o PS não ganhou. Não ganhou, mas

governou, e começou o desvario. Temos um Ministro que necessita — seja qual for o preço — de provar que

tem capacidade para disputar a liderança do PS e do Governo e a TAP foi o brinquedo escolhido. Temos um

Primeiro-Ministro que se diverte com os desaires do Ministro, isto quando não aproveita para lhe puxar as

orelhas, como aconteceu quando aquele cismou que queria o plano de reestruturação da TAP discutido no

Parlamento, ou inventou, aproveitando a ausência do Primeiro-Ministro — patrão fora, dia santo na loja —,

dois aeroportos da sua autoria.

Aplausos do PSD.

Falta dizer que este anúncio dos aeroportos durou, exatamente, 24 horas. A fanfarronice folclórica de

ambos veio à luz com frases tão bizarras como: «É impensável privatizar a TAP»; «A TAP é nossa, ponto

final»; «Agora a música é outra: o povo paga, o povo manda». Chegaram, Srs. Deputados, a comparar os

aviões da TAP às caravelas dos descobrimentos! A isto chamaria eu vergonha alheia.

O PS recua 40 anos e nacionaliza a TAP como caminho para o socialismo. Ou seja, trazendo de volta para

os portugueses o buraco de que o PSD os tinha livrado. Também à socialista, toca a atirar dinheiro — dinheiro

público, claro! — para cima da TAP. E, já agora, todo o dinheiro possível, todo o dinheiro que a União

Europeia permitisse. Foram 3200 milhões de euros, e o PS aplaudiu! Foram 3200 milhões de euros para TAP,

que é do povo, o povo que paga e que não manda.

O Sr. Eurico Brilhante Dias (PS): — É agora que vão dizer que são a favor da falência da TAP?

O Sr. Paulo Rios de Oliveira (PSD): — Dizem, sem corar, que a TAP é uma companhia de bandeira, ou

seja, que está ao serviço dos superiores interesses nacionais, como seja ligar Portugal de lés a lés e às Ilhas,

e ainda garantir a mobilidade às nossas comunidades emigrantes. Quem nos ouve hoje perceberá o tamanho

deste embuste político.

E quando tudo estava a correr à moda socialista, verificaram-se três dramas. O primeiro drama: o dinheiro

está a acabar. O segundo drama: a União Europeia, com o bom-senso que o PS nunca teria, já avisou que

não permite mais dinheiro público para a TAP. E o terceiro drama: os conflitos laborais da TAP estão ao rubro,

com despedimentos, cortes e até ameaças de greve. É aqui que o Governo mostra que é «habilidoso». Afinal,

a nacionalização já não é boa, a TAP tem de ser privatizada, pois claro. E os 3200 milhões de euros? Depois

vê-se!

Aplausos do PSD.

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