O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

I SÉRIE — NÚMERO 62

54

defesa denodada da Constituição da República, das conquistas de Abril, assim como na denúncia da exploração

e das desigualdades, em Portugal e no mundo, e da opressão dos povos, nomeadamente na América Latina.

Aplausos do PCP e de Deputados do PS.

O Sr. Presidente: — Tem, agora, a palavra a Sr.ª Deputada Rosário Gambôa.

A Sr.ª Rosário Gambôa (PS): — Sr. Presidente e Srs. Deputados: José Saramago, escritor de Todos os

Nomes, é um escritor universal e é universal porque abordou temas universais, desfez mitos e personas,

revisitou alegorias — o oleiro, de A Caverna, a Marta, o Baltazar — e, em particular, a lucidez, a sombra e a

cegueira.

Olhou para dentro dos dispositivos e da maquinaria do mundo, para ver como eles se movem e, com argúcia,

desmontar os seus ardis, para descortinar essas sombras e nos falar da mágoa e do sofrimento dos explorados,

dos que sofrem descendo à profundeza da alma humana para falar das suas glórias, das suas fraquezas e da

sua resistência.

Foi também um escritor de riqueza estilística capaz de voos panorâmicos, grandes planos rasantes, grandes

rasgos, personagens também memoráveis, pequenos momentos, lugares e sonhos.

Muitas vezes, as suas obras trouxeram para a praça pública a polémica e é extraordinário quando um escritor

em vida produz tanta polémica, porque era polémica marcada por um espírito indómito, muitas vezes,

desenganado, às vezes, mesmo desencantado, mas sempre confiante na capacidade de o homem unido

transformar o mundo.

A ação humana, uma ação que não era só pensada numa dimensão coletiva, mas numa dimensão que não

excluía a individualidade humana em tantas personagens e gente retratada nas suas obras, digamos, onde o

individual e o coletivo assumiam a sua emancipatória superior num humanismo.

Aplausos do PS, do PCP e do L.

O Sr. Presidente: — Tem agora a palavra o Sr. Deputado Alexandre Poço.

O Sr. Alexandre Poço (PSD): — Sr. Presidente e Srs. Deputados: O Grupo Parlamentar do PSD associa-se

a esta saudação no centenário do nascimento de José Saramago e entende que, neste momento, é importante

realçar que ainda hoje todos os anos milhares e milhares de jovens portugueses têm o contacto permanente

com a obra de um escritor que, no nosso entendimento, merecerá sempre a estima por ser, até ao momento, o

único português Nobel da Literatura.

Por outro lado, entendemos também que as referências à obra de José Saramago podem sempre suscitar

vários prismas de opinião, diferentes quadrantes e aquilo que o Grupo Parlamentar do PSD pretende salientar

hoje é que, efetivamente, José Saramago é um escritor que marcou a nossa sociedade, que marcou a história

contemporânea de Portugal e que marcou, acima de tudo, com a sua visão, com o seu pensamento e com o

legado que deixou às gerações futuras, uma prosa muito própria, uma forma de escrever muito característica do

estilo de Saramago, que entendemos que devemos preservar.

Por isso, neste dia, associamo-nos a esta saudação com o orgulho de sermos portugueses e com orgulho

de homenagearmos hoje, aqui, na Casa da democracia, um dos maiores escritores de sempre da literatura

portuguesa.

Termino, citando José Saramago, porque há algo que nós, na nossa vida pessoal, coletiva, social e política,

podemos sempre pensar e associar a uma frase singela de José Saramago. Dizia-nos Saramago: «Aquilo que

as vitórias têm de mau é que não são definitivas, mas, por outro lado, aquilo que também as derrotas têm de

bom é que também não são definitivas.»

Aplausos do PSD, da Deputada do PS Maria Antónia Almeida Santos e do Deputado da IL Carlos Guimarães

Pinto.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro dos Santos Frazão.

Páginas Relacionadas
Página 0038:
I SÉRIE — NÚMERO 62 38 Sr. Presidente, Srs. Deputados, o Plano chamad
Pág.Página 38
Página 0039:
3 DE DEZEMBRO DE 2022 39 para governar bem. Governar é difícil, porque governar é p
Pág.Página 39