I SÉRIE — NÚMERO 65
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O Sr. André Ventura (CH): — … e a que este Parlamento assuma que o Governo de Vladimir Putin, o Estado russo, neste momento, é um Estado pária, patrocinador do terrorismo e que não tem lugar na ordem
internacional.
Aplausos do CH.
O Sr. Presidente: — Para intervir, em nome do Grupo Parlamentar da Iniciativa Liberal, tem a palavra o Sr. Deputado Bernardo Blanco.
O Sr. Bernardo Blanco (IL): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Deputados: Começo por referir que o atual modelo de debate não leva a qualquer discussão e, por isso, espero que,…
O Sr. Pedro Filipe Soares (BE): — Sentado, sentado!
O Sr. Bernardo Blanco (IL): — … na alteração do Regimento, se altere este debate para um modelo de pergunta e resposta.
É que, mais uma vez, cada um faz as perguntas que quer e, no fim, o Primeiro-Ministro responde ao que
quiser e nós não temos qualquer tipo de réplica.
Iremos também propor outra alteração — como muitos outros parlamentos nacionais fazem — para que o
Governo tenha de, no dia anterior, entregar, com a agenda, as posições oficiais que terá no Conselho Europeu,
porque atualmente nós não fazemos ideia nem sabemos quais são as posições defendidas pelo Governo.
O Sr. Rodrigo Saraiva (IL): — Muito bem!
O Sr. Bernardo Blanco (IL): — No último debate — que foi mais um exemplo disso —, fiz cinco ou seis perguntas e o Sr. Primeiro-Ministro não respondeu a nenhuma e por isso, lamentavelmente, vou começar
exatamente por repetir algumas das questões já colocadas — o que, só de si, já é desprestigiante para o
Parlamento.
Relativamente ao quarto ponto da agenda, segurança e defesa, e ao sexto, relações externas, começo então
por repetir três perguntas.
Em primeiro lugar, no último ano, na nova Bússola Estratégica — que também será tema da agenda —, a
União Europeia basicamente definiu a China como rival sistémico, enquanto o Sr. Primeiro-Ministro pedia mais
cooperação com a China. Por isso, gostaria de saber se discorda dessa classificação europeia da China como
rival sistémico.
Noto até que, na sua intervenção, conseguiu declarar como concorrência desleal a proposta dos Estados
Unidos, mas, ao longo destes anos, a China fez o mesmo múltiplas vezes e nunca o ouvi a dizer o mesmo.
Em segundo lugar, falou também de consensos. Volto a repetir que quase todos os países já suspenderam
os acordos de extradição com Hong Kong, só falta Portugal. Então, o que é que falta para haver esse consenso,
Sr. Primeiro-Ministro? Portugal é o único que falta.
O Sr. Rui Rocha (IL): — Vamos lá ver se ele responde, desta vez!
O Sr. Bernardo Blanco (IL): — Em terceiro lugar, há três dias, vi um tweet seu a celebrar o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Muito bem! Já sobre o Irão — a Sr.ª Ministra até esteve na vigília —, gostaria de lhe fazer
uma pergunta, porque estamos há um ano e meio a tentar saber a resposta. O Irão foi nomeado para a Comissão
sobre o Estatuto da Mulher, da ONU (Organização das Nações Unidas) — um país que constantemente viola
os direitos das mulheres ser nomeado para este organismo internacional é só ridículo! — e a pergunta é esta:
como é que Portugal votou? Votou a favor do Irão? Sim ou não? Estamos há um ano e meio a tentar saber.
O Sr. João Cotrim Figueiredo (IL): — Ainda hoje não sabemos!