I SÉRIE — NÚMERO 65
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O essencial é perceber o porquê desta opção, em detrimento, por exemplo, da expansão da rede elétrica ou
até mesmo da captação de energia renovável. Não temos ainda excedente para depois podermos transportar
— se é que alguma vez teremos um excedente real — e, portanto, importa perceber o porquê desta opção.
Por último, a nossa questão prende-se com o ecocídio que está a acontecer na Rússia. Não nos podemos
esquecer de que, por força desta guerra, já houve um elevado número de elementos da biodiversidade que
acabaram por desaparecer. Falamos de 6 milhões de animais selvagens mortos em todo o território ucraniano,
de 50 000 golfinhos mortos no Mar Negro,…
O Sr. Pedro Pinto (CH): — E pessoas? Quantas?
A Sr.ª Inês de Sousa Real (PAN): — … de milhares de hectares de solos férteis contaminados com substâncias nocivas e de milhões de hectares de floresta ardida, pelo que, além da tragédia que assolou a
população ucraniana, há também um crime de ecocídio que o povo ucraniano já tem vindo a revindicar.
Por isso, pergunto-lhe se Portugal vai defender, junto do Conselho Europeu, esta avaliação que a Ucrânia
está a pedir, do ponto de vista do impacto ambiental da guerra, a somar, evidentemente, à necessária
recuperação socioeconómica e humanitária de que o país carece.
O Sr. Presidente: — Informo que a campainha começou a tocar visto que vamos fazer uma votação, depois de terminado este debate, e, portanto, é para chamar as Sr.as e os Srs. Deputados à Sala.
Para intervir em nome do partido Livre, tem a palavra o Sr. Deputado Rui Tavares.
O Sr. Rui Tavares (L): — Sr. Presidente, Sr.ª Ministra, Sr. Primeiro-Ministro, Caras e Caros Colegas: Não nos iludamos. Na ordem de trabalhos pode estar a energia, podem estar as relações entre a União Europeia e
a ASEAN, mas aquilo de que o Sr. Primeiro-Ministro e os seus homólogos vão falar, à margem das reuniões, é
do escândalo de corrupção no Parlamento Europeu — e é bom que assim seja.
É bom que este seja assunto de debate e que toda a gente tenha consciência da credibilidade que o
Parlamento Europeu demorou décadas a ganhar e que ganhou bem, porque as resoluções do Parlamento
Europeu sobre direitos humanos, sobre o Estado de direito e sobre anticorrupção são sempre das mais
avançadas e que mais mossa criam nos regimes de países terceiros — e é por isso que eles, pelos vistos,
pretendem infiltrar-se nas instituições europeias, para que essas resoluções causem menos mossa. Se elas
fossem irrelevantes ninguém se preocuparia.
Essa credibilidade, ganha durante décadas de trabalho duro no Parlamento Europeu — trabalho seu,
também, trabalho meu, trabalho de milhares de Deputadas e de Deputados europeus — não se pode perder de
um dia para o outro.
Protestos do CH.
Há duas maneiras de o discutir no Conselho Europeu. Uma é a de alguns dos seus homólogos — cujo nome
nem vou citar porque há bancadas que ficam logo muito nervosas, porque são os seus corruptos de estimação
—,…
O Sr. Pedro Pinto (CH): — Olhe o tempo!
O Sr. Rui Tavares (L): — … que ainda na semana passada bloqueavam o dinheiro para a Ucrânia, mas deixavam passar fundos europeus para o seu genro, que é um dos mais ricos do seu país.
Protestos do CH.
E, ao contrário do que pensam, não é do «rouba, mas faz», porque a economia daquele país vai crescer
quatro vezes menos do que a portuguesa — a inflação está em 22 % e a inflação dos bens alimentícios em
45 %.