I SÉRIE — NÚMERO 65
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O Sr. Deputado Bruno Dias, a propósito da Ucrânia, perguntou se há solução militar. Sr. Deputado, nunca há
solução militar para nenhum problema e é por isso que, desde a primeira hora, o Partido Comunista Português
devia ter recusado a solução militar que a Rússia adotou ao invadir a Ucrânia.
Aplausos do PS.
Os Srs. Deputados André Ventura, Mariana Mortágua e Rui Tavares preocupam-se com a corrupção na
União Europeia — e bem! É algo que nos deve preocupar a todos, seja em Portugal, seja na Alemanha, seja na
Suíça, seja na União Europeia.
Portugal é parte da convenção da União Europeia de combate à corrupção, é parte, como os outros Estados-
Membros da União Europeia, das convenções do Conselho da Europa no combate à corrupção e a União
Europeia adotou — e eu orgulho-me muito de ter contribuído para isso — a inclusão do combate ao crime de
corrupção como sendo objeto do mandado de detenção europeia. Sim, temos de combater e quero apoiar a
forma inequívoca que a Sr.ª Presidente Metsola adotou relativamente a este lamentável caso que foi agora
conhecido.
Em relação à questão da Hungria — enfim, Hong Kong e Irão, manifestamente, não fazem parte da geografia
da Europa — é muito importante ter em conta o seguinte: o que está neste momento a ser discutido é a aplicação,
ou não, à Hungria do mecanismo de condicionalidade. Foi aprovado, em simultâneo, com o NextGeneration,
obviamente por unanimidade, e, portanto, também com o voto de Portugal, pelo que a sua pergunta está só
alguns anos desatualizada.
O Sr. Deputado Bruno Dias e a Sr.ª Deputada Inês de Sousa Real preocuparam-se, também, com o
acionamento do fundo social da União Europeia. Portugal acionou o Fundo de Solidariedade da União Europeia
sempre que se verificaram os requisitos para o fazer. Ora, o primeiro requisito é conhecer a estimativa dos danos
e, portanto, não é possível acionar o Fundo de Solidariedade da União Europeia sem previamente apurar o
montante dos danos.
Como sabem, logo na quinta-feira, a Sr.ª Ministra da Presidência reuniu com os presidentes de câmara dos
concelhos mais afetados da Área Metropolitana de Lisboa, de forma a proceder-se ao levantamento dos danos,
para verificar quais são os mecanismos nacionais de apoio e quais são os mecanismos eventuais de apoio da
União Europeia, se esses requisitos estiverem preenchidos.
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Então a resposta é «sim»?!
O Sr. Primeiro-Ministro: — A resposta é que o acionaremos se e quando estiverem verificados os pressupostos, claro que sim! Desculpe lá, Sr. Deputado, mas passa pela cabeça de alguém que sendo possível
recorrer ao Fundo de Solidariedade da União Europeia não o vamos utilizar?
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Não se enerve, Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Desculpe lá, mas é uma pergunta tão sem sentido que nem tinha percebido bem que era mesmo essa a pergunta.
Risos do Deputado do CH André Ventura.
Bom, quanto à governação económica da Europa, sim, temos dito e repetido, e continuaremos a repetir e a
dizer até quando for necessário, que temos de ter um novo desenho da governação económica da Europa.
A proposta que a Comissão apresentou é um primeiro passo, e um primeiro passo importante, que permite
dizer: primeiro, que em vez de uma regra cega de diminuição da dívida de 1/20 todos os anos é desenhado,
país a país, em função da capacidade e das necessidades de cada um, um programa de redução da sua própria
vida; e, em segundo lugar, que o critério essencial passa a ser o da despesa líquida.
Ora, a despesa líquida tem dupla vantagem. Primeiro, não contabiliza algo que não controlamos, que é a
variação do custo da dívida em função da evolução dos juros da dívida. Em segundo lugar, não contabiliza