I SÉRIE — NÚMERO 65
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Vamos lá ver se nos entendemos. A sua colega, a Sr.ª Deputada Paula Cardoso, disse que esta pergunta
não tinha pés nem cabeça, mas é curioso que 50 Deputados do PSD tenham votado a favor.
Sr. Deputado, eu não me enterro a mim próprio! Mas os senhores, com coisas dessas, enterram-se melhor
do que ninguém! 50 Deputados votaram a favor! Estão aqui, eu podia identificá-los um a um, são 50, podia dizer
os nomes, as caras, ver os sorrisos, com que votaram a favor da nossa proposta, em junho. Era tão fácil!
Aplausos do CH.
Risos de Deputados do PSD.
Quanto a dizer que não há identidade subjetiva. Sr. Deputado, nós também jogamos, aqui, a nossa qualidade
de juristas. Está claro no Tribunal Constitucional há muitos anos — não é de agora! —, na doutrina constitucional
de Gomes Canotilho, Vital Moreira e outros — não vale a pena passarmos, agora, pelos nomes todos — que a
identidade subjetiva nunca foi critério do artigo 167.º da Constituição.
O Sr. Joaquim Pinto Moreira (PSD): — Não é verdade!
O Sr. André Ventura (CH): — É verdade, desculpe! Desde a Comissão Constitucional, desde 1985, que a identidade subjetiva não é critério. Podemos dizer «eu queria que fosse», mas, Sr. Deputado, eu também queria
que o PS não tivesse maioria absoluta, mas tem! A vida é mesmo assim. Pode dizer: «A pergunta não é a
mesma!» Mas também já está claro, no acórdão que referiu, que a pergunta não tem de ser a mesma. Está claro
como água!
O Sr. Joaquim Pinto Moreira (PSD): — Então porque é que se absteve hoje?
O Sr. André Ventura (CH): — Nós abstivemo-nos na votação do parecer que foi apresentado, não confunda as coisas!
O PS fez um parecer, e onde nos abstivemos foi no parecer, não foi em mais nada. Por isso, nada de
confundir as coisas.
Finalmente, Sr. Deputado, até o vosso antigo líder disse na televisão, anteontem, que foi uma trapalhada
enorme que vocês todos cometeram! Todos podemos cometer trapalhadas. Agora, não atirem a culpa para cima
do Chega, assumam-na!
Aplausos do CH.
Vou terminar, Sr. Presidente.
Até o vosso antigo líder, o Dr. Luís Marques Mendes, disse na televisão que foi uma enorme trapalhada do
PSD. Cabe na cabeça de alguém propor um referendo no fim do processo legislativo, quando a comissão esteve
a trabalhar e já tinha havido discussão sobre a formulação da lei? É aí que vamos propor um referendo? Mas
está tudo maluco, está tudo louco?!
O Sr. Presidente: — Sr. Deputado, atenção às palavras.
O Sr. André Ventura (CH): — Peço desculpa, Sr. Presidente, e vou terminar. Sr. Deputado, todos podemos errar. O Grupo Parlamentar do Chega já errou, o Grupo Parlamentar do PSD
já errou. O PSD cometeu uma enorme trapalhada neste processo e é levado a uma situação de impossibilidade
de admissão deste projeto. E agora, em vez de assumir o erro e a culpa, quer lançar rumores entre o PS e o
Chega!
Sr. Deputado, chama-se a isso uma coisa: falta de autoconsciência. E acho que o PSD não precisava disso
neste momento.
Aplausos do CH.