14 DE DEZEMBRO DE 2022
3
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Primeiro-Ministro, Sr.ª Ministra, temos quórum e todos os grupos parlamentares estão representados, pelo que vamos iniciar a nossa sessão.
Eram 15 horas e 6 minutos.
Peço aos Srs. Agentes da autoridade que abram as galerias ao público.
Não havendo expediente para leitura, passamos à ordem do dia da sessão de hoje, que consta do debate
preparatório do Conselho Europeu, com a participação do Sr. Primeiro-Ministro, ao abrigo da alínea a) do n.º 1
do artigo 4.º da Lei de Acompanhamento, Apreciação e Pronúncia pela Assembleia da República no âmbito do
Processo de Construção da União Europeia.
Para abrir o debate, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro, António Costa.
O Sr. Primeiro-Ministro (António Costa): — Boa tarde, Sr. Presidente, Sr.as Deputadas e Srs. Deputados: O Conselho Europeu tem uma ordem de trabalhos vasta, antecedida, aliás, da cimeira com a Associação das
Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), mas, obviamente, aquilo que concentrará a atenção do Conselho será o
ponto relativo à energia e à economia.
No que diz respeito à energia, o Conselho de Ministros da Energia está hoje a discutir três propostas bastante
importantes. Relativamente a duas dessas propostas, já foi possível obter consenso, mas há uma terceira em
relação à qual isso não foi possível.
Mas, como há o consenso de só haver consenso quando houver consenso sobre tudo, as duas propostas
que já mereceram consenso ficam dependentes do consenso sobre a terceira, que ainda o não tem.
Onde é que já há consenso? Há consenso quanto à operacionalização de uma plataforma conjunta para a
aquisição de gás e também sobre a proposta relativa à simplificação e agilização dos processos de licenciamento
de projetos de iniciativas renováveis.
Não há ainda consenso relativamente ao ponto fundamental, que tem a ver com a fixação de um limite
máximo do preço do gás, de forma a poder controlar-se aquela que tem sido a evolução do preço no mercado
internacional.
Além destas três propostas que estão em debate, é necessário ir mais longe e, fundamentalmente, proceder
à revisão de todo o mecanismo de fixação do preço no mercado, pondo termo ao regime de fixação marginalista.
Hoje, as tecnologias das energias renováveis já estão suficientemente maduras para que não tenham de ter
o apoio da fixação do preço marginalista, e é com satisfação que vemos a Comissão assumir o compromisso
de, no primeiro trimestre do próximo ano, apresentar uma proposta nesse sentido.
Em qualquer caso, e enquanto a proposta surge e não surge, é debatida e não é debatida, gera e não gera
consenso, é absolutamente essencial que Portugal e Espanha procedam, desde já, às negociações necessárias
para a extensão da solução ibérica para depois de maio do próximo ano, visto que este mecanismo é o que tem
permitido mitigar o impacto da subida do preço do gás no preço da eletricidade e, desde 15 de junho até 30 de
novembro, já permitiu poupar cerca de 360 milhões de euros relativamente à despesa que teria existido sem
esse mecanismo.
Aplausos do PS.
O debate sobre energia é, obviamente, indissociável do debate sobre a situação económica e a inflação que
estamos todos a enfrentar. Como sempre, para desafios à escala europeia é fundamental que haja respostas à
escala europeia. É, nesse sentido, aliás, que aponta, de forma muito clara e ambiciosa, a declaração
apresentada pelos nove países do sul da Europa, aprovada há uma semana, em Alicante. E é particularmente
importante num momento em que os Estados Unidos adotaram uma disposição sobre a redução da inflação,
que introduz fatores de concorrência desleal e que exige uma resposta da parte da Europa.
Como sempre temos dito, de forma pragmática e no curto prazo, devemos recorrer às disponibilidades ainda
existentes no quadro do Next Generation ou, dito de outro modo, no quadro dos Planos de Recuperação e
Resiliência de cada Estado-Membro, para podermos ter uma resposta integral da Europa no apoio às suas
empresas mais expostas à subida dos custos da energia.