14 DE DEZEMBRO DE 2022
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Falo-lhe ainda na cimeira energética e no tema da energia. Como disse, e bem, é um dos temas fortes do
próximo Conselho. Acontece que já percebemos que o gasoduto, inicialmente partilhado com gás e com
hidrogénio, será só de hidrogénio.
É um projeto a médio-prazo, para 2030, e que irá ter os seus desenvolvimentos e queria centrar a minha
intervenção em matéria energética nas interligações elétricas.
Existem três interligações elétricas, como bem sabe: uma que está em curso no Golfo da Biscaia, mas cujo
ponto de situação em concreto não se sabe — a Sr.ª Ministra da Energia espanhola disse que sabia que estava
em curso, mas não sabia quando é que era a sua entrada em funcionamento —, e existem duas interligações
muito importantes, pendentes, através dos Pirenéus.
Houve a reunião tripartida em que o Sr. Primeiro-Ministro participou, com a presença da Sr.ª Presidente da
Comissão, e o que lhe pergunto é, concreta e objetivamente, que compromissos foram assumidos. Que datas
há para inícios de projetos? Que financiamentos foram considerados, uma vez que, como se viu, houve já
compromissos para o financiamento do gasoduto para o hidrogénio?
Vozes do PSD: — Muito bem!
O Sr. Paulo Moniz (PSD): — Quanto a essa matéria do fornecimento elétrico, também gostaria de relembrar que é fundamental Portugal diversificar as suas interligações.
Recordo que já o então Secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, disse perentoriamente que,
em 2018, a nossa ligação a Marrocos estaria operacional. A última informação da REN (Redes Energéticas
Nacionais) sobre essa matéria é a de que não tem qualquer plano em cima da mesa a este respeito.
Pergunto-lhe se vai ou não retomar a diversificação do fornecimento através deste projeto estruturante.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente: — Tem, agora, a palavra o Deputado Sérgio Marques, ainda no tempo do Grupo Parlamentar do PSD.
O Sr. Sérgio Marques (PSD): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, Sr.ª Ministra, Sr.as e Srs. Deputados: Falarei apenas da guerra na Ucrânia, cada vez mais cruel e bárbara.
Faço-o para contrariar uma tendência de habituação, indiferença e insensibilidade que os mais de nove
meses de guerra estão já a causar. Faço-o também para corresponder ao apelo do Papa Francisco, quando nos
exorta a que não deixemos que os nossos corações e mentes fiquem entorpecidos pela repetição das imagens
de horror e da barbárie da guerra. O Papa Francisco, com a maior contundência, não hesitou em comparar os
efeitos da guerra na Ucrânia com o terrível genocídio do Holodomor.
Na verdade, Putin, derrotado no campo de batalha, vem cumprindo, nas últimas semanas, uma estratégia
cobarde e criminosa: atacar diretamente o povo ucraniano, destruindo as infraestruturas que garantem a
sobrevivência das pessoas: eletricidade, gás, água, etc.
Estaline, em 1932, com o Holodomor, condenou os ucranianos à morte pela fome; hoje, Putin condena-os à
morte pelo frio.
Neste contexto, Sr. Primeiro-Ministro, não posso deixar de considerar as suas últimas declarações sobre a
Ucrânia senão como uma manifestação de alguma dessa indiferença e insensibilidade. Então, sobre a Ucrânia,
nada mais há para dizer do que a União Europeia não dispor das condições orçamentais e institucionais para
cumprir o alargamento?
Podemos, obviamente, debater essa questão, posso até entender as suas razões, mas a oportunidade não
podia ter sido pior.
Quando Putin recorre a todos os meios para destruir a Ucrânia, as suas declarações, Sr. Primeiro-Ministro,
são o contrário da mensagem de solidariedade que daqui, do extremo ocidental da Europa, deveria ter enviado
ao povo ucraniano, que nos dá o exemplo maior de coragem e resiliência.
Apesar de todo o sofrimento que Putin lhes inflige e de todas as tentativas para quebrar a sua força anímica,
os ucranianos resistem e mantêm uma luta heroica contra o opressor, em defesa da sua independência e da
sua opção de serem a porta oriental da Europa.