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I SÉRIE — NÚMERO 67

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O Sr. André Ventura (CH): — Mas foi a possível presença ou afetação de elementos policiais às

convicções do partido Chega que levaram a esta perseguição sem limites.

Meus senhores, vamos ser claros: não se trata nem de transparência, nem de lei, nem de Constituição.

Trata-se da maior perseguição política a um grupo profissional em Portugal após o 25 de Abril.

Aplausos do CH.

Os polícias, homens e mulheres, que escolheram a sua vida para garantir a nossa segurança, todos eles,

são homens e mulheres como nós, com sonhos, com ambições, com direitos e perspetivas políticas. Nunca se

assistiu, como hoje se assiste, a uma tentativa de cercear, de limitar, de humilhar e de espezinhar os direitos

políticos das forças de segurança.

Por isso, pela primeira vez desde 25 de abril de 1974, o Chega traz a esta Câmara uma proposta que visa

restaurar os direitos políticos dos polícias. Sr. Presidente, se professores podem votar, ser militantes e

escolher a sua vida política, se médicos podem escolher a sua vida política, se jornalistas podem escolher a

sua vida política e se até temos alguns presidentes de sindicato de jornalistas que se tornam Deputados, então

como é que polícias não podem ter direitos políticos em Portugal? Como?

Aplausos do CH.

Agora talvez percebamos bem o porquê de certas críticas e de certas notas do Sindicato dos Jornalistas à

presença de polícias e à eventual infiltração de forças do Chega. Agora começamos a perceber tudo e a

poderosa máquina que montaram desde o 25 de Abril para anular os polícias e as suas forças.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, o que estamos a fazer às nossas forças de segurança é a maior traição a

um grupo profissional desde o 25 de Abril. É dizer-lhes que não são homens e mulheres como nós, dizer-lhes

que não têm os mesmos direitos que nós, que não podem ter preferência nem escolha, que são escravos do

sistema e que não podem ser mais nada que não meros objetos.

Queria dizer aqui e ao País todo que, na revisão constitucional, na qual estamos a participar e a que demos

início neste Parlamento, o Chega vai propor que polícias possam ser parte de todos os partidos políticos,

como todas as forças em Portugal.

Aplausos do CH.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, um polícia tem um salário-base de 809,13 € — repito, 809,13 €. São

homens e mulheres que põem a farda para nos defender e ganham 809,13 €. Em alguns supermercados

ganha-se mais. Em algumas caixas de supermercado pelo País inteiro paga-se melhor do que aos nossos

polícias. Era isto que devíamos ter presente. Como deixámos isto acontecer?

Nos últimos 20 anos, os salários dos polícias congelaram, bem como as suas carreiras, mas pedimos-lhes

que entreguem a vida por nós. Nos últimos 20 anos, os polícias perderam poder de compra, igual a todos os

outros, mas mais, porque não viram os seus salários atualizados — e pedimos-lhes que deem a vida por nós,

pela nossa segurança e pela das nossas famílias. Nos últimos 20 anos, estes homens perderam mais de 35 %

do seu poder de compra, mas pedimos-lhes que salvaguardem estas instalações do Parlamento.

Pedimos-lhes que segurem as instituições e os órgãos de soberania, pedimos-lhes que defendam as

nossas famílias dos ataques exteriores, pedimos-lhes que livrem as nossas ruas de bandidos — mas damos-

lhes 809 € por mês. Era isto que devíamos pensar antes de atacar um qualquer grupo profissional de homens

e mulheres que entregam a vida por nós todos os dias.

Sr. Presidente e Srs. Deputados, 160 polícias puseram termo à vida nos últimos 20 anos — 160! Presto a

nossa homenagem a todos eles desde esta Câmara.

Aplausos do CH.

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